A taxa de desemprego no 4.° trimestre na Madeira subiu ligeiramente, mas ainda assim o suficiente para acompanhar as restantes seis regiões do país na subida generalizada nos últimos três meses do ano passado que também vai de encontro aos aumentos consecutivos em Outubro, Novembro e Dezembro no desemprego registado mas gerando um facto digno de destaque pela positiva. “Em relação a 2018, a taxa de desemprego (anual, em 2019) diminuiu em todas as regiões, com a excepção do Algarve, onde se verificou um acréscimo de 0,7 p.p.. Os três maiores decréscimos ocorreram na Região Autónoma da Madeira (1,8 p.p.), na Região Autónoma dos Açores e no Centro (0,7 p.p. em ambas as regiões)”, analisou o Instituto Nacional de Estatística.
Esta nota é realçada pelo Governo Regional, através do Instituto de Emprego da Madeira (que divulga o desemprego registado a cada mês), que frisa que a Região “destaca-se, em termos médios anuais, como a região do País, que regista a maior descida da taxa de desemprego. (…) Assim, verifica-se que se mantém a tendência decrescente face à taxa de 14,7% do 4° trimestre de 2015, corroborando a tendência de redução verificada no desemprego registado pelo Instituto de Emprego da Madeira, que contabiliza o número de desempregados inscritos”, aponta o IEM.
E acrescenta: “Importa assim salientar que a R.A. Madeira deixa de ser a região com a maior taxa de desemprego, passando a ocupar o 4° lugar no ranking das 7 regiões, com as regiões dos Açores, do Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa a apresentarem valores mais elevados?’
Basicamente a Madeira está a meio da tabela neste indicador e está claramente em convergência com a média nacional e europeia. No início da série estatística actual (foram introduzidas novas formas de inquérito ao emprego e, por consequência nova fórmula de cálculo da taxa, impossibilitando comparações com anos anteriores a 2011), a taxa de desemprego anual estava nos 13,5%, tendo ainda aumentando até as 18,1% em 2013, encetando desde então uma quebra significativa de 61% para os actuais 7%.
Comparativamente com as médias de Portugal (6,5%) e da União Europeia (6,3%), em 2013 a Madeira tinha 18,3% dos activos no desemprego, o País tinha 16,2% e a UE 10,8%, em quaisquer dos casos os valores mais altos do período. A RAM baixou 11,1 pontos percentuais, Portugal baixou 9,7 p.p. e a União Europeia apenas 4,5 p.p., significando que pelo menos em termos estatísticos o desemprego na RAM aproxima-se cada vez mais da média nacional e europeia.
Assim, de acordo com dados divulgados pela Direcção Regional de Estatística, a população estimada era de 252,7 mil pessoas no 4.° trimestre de 2019, considerando-se 137,7 mil activas e 115 mil inactivas. Significa que nesses três meses apenas 7% dos activos estavam desempregados e que 93% da população activa tinha emprego, num total de 128,1 mil pessoas. Destes, a grande maioria (97,3 mil ou 76%) tinha trabalho no sector dos Serviços e que 18,5 mil (14,4%) empregavam-se na Indústria, Construção, Energia e Água e, ainda, 12,3 mil (9,6%) tinham ocupação laboral principal na Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca.
Refira-se ainda que numa população em que 118,4 mil eram homens e 134,4 mil eram mulheres, dos quais 69,1 mil e 68,6 mil, respectivamente, eram activas e 64,5 mil e 63,6 mil estavam empregadas, significa quase metade das mulheres e mais de 4 em cada 10 homens estava inactiva. Colocando na perspectiva da taxa de desemprego por sexo, 6,6% nos homens e 7,4% nas mulheres.
MELHOR DO QUE O RESTO DO PAÍS
“No 4.° trimestre de 2019, a taxa de desemprego foi superior à média nacional (6,7%) em todas as regiões do país, com excepção do Centro (5,2%)”, incluindo por isso “a Região Autónoma dos Açores (7,6%), Alentejo (7,3%), Norte e Ama Metropolitana de Lisboa (7,1% em ambas), Região Autónoma da Madeira (7,0%) e Algarve (6,8%)”, realça o INE na actualização trimestral da taxa de desemprego, divulgada ontem.
“Os três maiores acréscimos trimestrais foram observados no Algarve (1,5 p.p.), na Área Metropolitana de Lisboa (0,7 p.p.) e no Norte (0,5 p.p.)”, com a Madeira a ter o menor aumento, o que significa que diminuiu a diferença para a média nacional de 0,8 p.p. para 0,3 p.p.. Nota ainda para o facto de “em relação ao trimestre homólogo, a taxa de desemprego aumentou no Norte e na Área Metropolitana de Lisboa (0,4 p.p. em ambos os casos), tendo diminuído nas restantes regiões. As três maiores diminuições homólogas verificaram-se na Região Autónoma da Madeira (1,9 p.p.), no Algarve (1,0 p.p.) e na Região Autónoma dos Açores (0,9 p.p.)”. No total anual, em 2019, “apenas a taxa de desemprego da região Centro (4,9%) foi inferior à média nacional. As taxas de desemprego mais elevadas, e superiores à média nacional, foram observadas nas restantes regiões: Região Autónoma dos Açores (7,9%), Área Metropolitana de Lisboa e Algarve (7,1% em ambas), Região Autónoma da Madeira (7,0%), Alentejo (6,9%) e Norte (6,7%)”.
Francisco José Cardoso – Diário de Notícias
