Os trabalhadores da Qimonda esperam ser recebidos, ainda esta semana, pela administração da empresa para poderem decidir o “aumento de salário para o regime de lay-off”, disse à Lusa um dos elementos da comissão que representa os operários.
Miguel Frutuoso acredita que desse encontro vai surgir um acordo “de forma a minimizar o impacto salarial que a situação de ‘lay-off’ está a ter nos trabalhadores”, porque muitos deles começam a “viver situações dramáticas”.
“Temos colegas que já não conseguem fazer face a despesas bancárias e há outros até que começam a ter problemas em pagar a própria alimentação”, frisou o trabalhador.
A situação de ‘lay-off’ implica quebras nos ordenados que podem rondar os 40 por cento, o que para a maioria das pessoas “representa uma grande diminuição do ordenado que estão actualmente a auferir no final do mês”, lembrou Miguel Frutuoso que tem 28 anos e vai ser pai ainda este ano.
Apesar do cenário, este trabalhador também reconhece que está a passar por algumas dificuldades, mas que “são minimizadas” pelo facto de a mulher não trabalhar na Qimonda, caso contrário estaria “numa situação financeira familiar muito complicada”, explicou à Lusa. A instabilidade chegou à fábrica de semi-condutores em Fevereiro e, deste então, “o processo tem-se vindo a arrastar”, lamentou Miguel Frutuoso que reconhece que o facto de haver eleições legislativas em Setembro e de o país estar em período de pré-campanha eleitoral está a “atrasar decisões que poderiam ser tomadas em relação à Qimonda”.
Mesmo não vendo uma “solução à vista”, o trabalhador alega que os seus colegas “continuam a acreditar no futuro da unidade”.
