A coordenadora do programa Eurodisseia na Madeira, Mariana Aragão Gouveia, considera que a mobilidade é uma das melhores opções para os jovens licenciados que pretendem ultrapassar os problemas de empregabilidade.
Socióloga do trabalho, chefe de divisão na Direcção Regional de Qualificação Profissional, aquela responsável não tem dúvidas em afirmar que «a mobilidade é o paradigma do século XXI».
Tal como referiu «se querem arranjar emprego, ganhar dinheiro, utilizar as suas qualificações e investir aquilo que aprenderam, têm de sair da zona de conforto e isso só se consegue com mobilidade».
Segundo Mariana Aragão Gouveia o programa Eurodisseia dá resposta a quem procura realizar estágios em outras regiões europeias, potenciando as suas capacidades profissionais e proporcionando uma formação linguística.
O programa é desenvolvido na Madeira desde 2001, mas com execução prática há sete anos, tendo já apoiado experiências profissionais no exterior a 45 jovens madeirenses, maioritariamente raparigas, com idades entre os 18 e os 30 anos.
«Elas são mais afoitas e estão a ver o mundo de uma forma mais simplista», revelou Mariana Aragão Gouveia.
Na prática, este programa constitui mais-valia para as instituições que recebem os jovens, maioritariamente licenciados. «Tenho agora um jovem no laboratório de Biologia da Universidade da Madeira que está a fazer um trabalho fantástico», realçou a coordenadora. «São jovens que vêm com outras ideias, outro tipo de formação e são mais-valia para as entidades que os acolhem».
O programa é totalmente suportado pelo orçamento regional, apoiando os estagiários madeirenses na deslocação e os estrangeiros durante a sua estada na Madeira. «São custos elevados, mas temos de pensar nisto como um investimento», realçou Mariana Aragão Gouveia, revelando que para 2009 foi contemplada uma verba na ordem dos 16 mil euros.
«O Eurodisseia, mais do que os outros programas da União Europeia, que são um bocado carregados de burocracia, somos todos uma grande família», realçou Mariana Aragão Gouveia.
Em sete anos, o programa contemplou estágios a 45 jovens madeirenses, mas no início não foi fácil recrutar interessados. Foram necessárias várias conferências com plateias jovens e algumas entrevistas. «Pensei que numa terra com tradição de emigração como a nossa, toda a gente tinha vontade de sair e isso foi complicado», recordou a coordenadora regional do Eurodisseia.
As duas primeiras saídas verificaram-se em 2002, para França. Uma das jovens era licenciada em Marketing e outra oriunda de um curso técnico profissional de animação de idosos. Ponto de situação: «Estão a viver ambas em França».
Hoje a realidade do programa é bem diferente. «Agora temos muita gente a querer fazer Eurodisseia, visto a informação ter passado de boca em boca e quem fez aconselha toda gente a fazer esta experiência», salientou a coordenadora regional.
Daqui a poucos dias, mais dois jovens madeirenses vão fazer estágios no exterior.
Os resultados preliminares de um inquérito aos jovens que participaram no programa, revelam que, quer as pessoas que saíram da Madeira, quer os que cá estiveram, continuam a experimentar outros sítios para fazer estágios ou trabalhar.
Mobilidade é o paradigma do século XXI
O primeiro programa da Assembleia das Regiões da Europa (ARE), foi criado em 1985, por Edgar Faure, com o objectivo de facilitar a entrada no mercado de trabalho dos jovens europeus, possibilitando-lhes uma experiência de trabalho no estrangeiro.
Este programa Eurodisseia existe na Região Autónoma da Madeira, desde 2001, sendo coordenado pela Direcção Regional de Qualificação Profissional.
Oferecer aos jovens uma experiência profissional no estrangeiro, proporcionar aos jovens um estágio linguístico e desenvolver uma consciência europeia, são os objectivos do programa cujos destinatários são jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos.
As despesas suportadas pelo programa incluem viagens, bolsas de estágio, alojamento, cobertura social e seguros, formação linguística intensiva e organização de actividades culturais.
Ao nível das ofertas de estágios, Portugal é representado pelas regiões autónomas, Madeira e Açores. ´
A França com nove regiões é o país que mais ofertas de estágio apresenta, entre os 12 Estados como Roménia (6), Espanha (5), Suíça (3), Bélgica (2), Croácia (2), Alemanha (2) Itália (1), Noruega (1), Geórgia (1) e Reino Unido (1).
Estagiários falam da experiência vivida
A jovem belga, Chloe Lahousse Juárez, estagiou no Jornal da Madeira, em 2008, no âmbito do programa Eurodisseia. «O meu estágio não podia ser melhor, ao nível pessoal e profissional. O trabalho era exactamente o que eu precisava para me lançar na minha carreira», revelou acerca da experiência realizada na Madeira.
Da Roménia veio Daniel Angheloiu, cuja oportunidade permitiu alargar conhecimentos ao nível profissional e linguístico.
Tal como referiu «este programa foi óptimo, porque adquiri muito da vossa língua e da vossa cultura. Viajei e vi esta ilha, que para mim é magnífica. Em segundo lugar, vi como funcionava a vossa contabilidade, que não é muito diferente da nossa», realçou o jovem romeno. O apelo fica para quem pensa fazer uma experiência congénere: «Venham conhecer o que significa a Eurodisseia, porque investir em capital humano, melhorando a educação e as competências, vai fazer com que a Europa cresça, assim como as relações entre regiões».
O madeirense Bruno Miguel, estagiou em Espanha e considera que a experiência foi positiva, porque as expectativas iniciais «foram totalmente correspondidas». «É uma experiência inesquecível, na qual o lema “Viajar, Aprender e Descobrir” está totalmente ajustado».
Fonte: JM
