As empresas da Região estão a viver enormes dificuldades reflectidas no facto do crédito malparado às empresas ter atingido 2% do total do dinheiro emprestado às empresas. Este valor traduz um agravamento de 150% em relação a igual mês do último ano, na linha dos indicadores das outras zonas do país.
De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, os empréstimos concedidos na Madeira totalizavam 8.062 milhões de euros, sendo que as empresas tinham pedido 4.693 milhões e os particulares – excluindo os emigrantes – outros 3.249 milhões de euros. Do dinheiro emprestado a particulares, 2.235 milhões diziam respeito a crédito à habitação, concluindo-se que o crédito ao consumo totalizava 1.014 milhões de euros.
Do total das operações de crédito, refira-se que através das sucursais ou dos bancos a operar na praça financeira – vulgo off-shore – foram emprestados 1.022 milhões de euros, com destaque para o sector empresarial, que pediu 998,3 milhões de euros. Os emigrantes pediram 23,8 milhões de euros.
Mostrando que as instituições bancárias a operar na Região têm indicadores muito positivos, o total do dinheiro depositado (9.578 milhões de euros) é superior ao valor pedido aos bancos, circunstância invulgar justificada nos depósitos dos emigrantes, que totalizavam 2.536 milhões de euros.
Para a elevada capitalização dos bancos contribuem os 2.612 milhões de euros depositados pelas empresas, bem como os 2.729 milhões guardados pelos madeirenses, a que se juntam outros 1.673 milhões de instituições financeiras não monetárias.
Dado muito curioso é o facto de o Governo Regional (34 milhões) e as câmaras terem depositados cerca de 57 milhões de euros.
Pelas vantagens fiscais que a praça financeira da Madeira oferece, estão depositados no ‘off-shore’ 4.710 milhões, ou seja 49% de todo o dinheiro depositado. Os emigrantes (2.289 milhões) e as empresas (1.884) são os que movimentam mais dinheiro através da ‘praça’, com os particulares a depositarem apenas 11,5 milhões de euros.
De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, num ano – de Maio de 2008 – o crédito malparado em Portugal aumentou 98% em relação às empresas. Já o crédito malparado das famílias registou um pequena subida de 2,5%.
As famílias portuguesas deviam em Maio deste ano 3,45 mil milhões de euros à banca, enquanto o crédito malparado das empresas representava 4,1 mil milhões de euros. O peso do crédito malparado no total dos empréstimos concedidos às empresas era já de 3,47%.
No último ano tanto as famílias como os empresários pediram mais empréstimos. Ainda a referir que, nas famílias o crédito ao consumo foi o que mais subiu, seguido do crédito à habitação. Contas feitas, o aumento dos empréstimos às famílias foi de quase 134 mil milhões de euros (+2%) , enquanto, as empresas receberam da banca 118 mil milhões de euros, um aumento de 11% .
A MADEIRA É A MELHOR
Pese a circunstância da Madeira ser uma das regiões mais endividadas do país, isto se considerarmos o valor ‘per capita’ (32.879), a verdade é que é a região do país onde o incumprimento, o crédito malparado é menor. Ou seja, as empresas madeirenses são os mais cumpridores clientes dos bancos. As empresas do Alentejo (4,7%), Centro (3,9%), Norte (3,7%), Algarve (3%), Lisboa (2,8%) e Açores (2,6%) têm valores substancialmente superiores aos 2% de incumprimento das empresas da Madeira, sabendo-se que a média nacional situa-se nos 3,3%.
Crédito: madeirenses pedem mais, pagam mais e os bancos fazem melhores negócios
Um estudo do Instituto Nacional de Estatística revelou que a Madeira é a região do país que tem a maior dívida ‘per capita’ em termos de crédito à habitação. No final do último ano, cada madeirense devia 9.274 euros. Um valor que colocava a Região no topo do ‘ranking’ nacional, cuja média era de apenas 9.061 euros por habitante. Os açorianos eram os que apresentavam a menor dívida à banca em termos de crédito habitação, apenas 8.371 euros por habitante. Já a média de Portugal continental situava-se nos 0.72 euros por habitante.
Tal como destacamos na peça principal, as poupanças dos emigrantes continuam a ter um peso determinante na economia regional. Porque a Madeira é a região do país onde os emigrantes têm mais peso em termos de depósitos bancários: 8,3%. Esta taxa é muito superior à média nacional (3,46%) e continental (2,84%). Os Açores eram a Região que mais se aproximava da Madeira: 7,49%. Com tanto dinheiro emprestado, os juros pagos pelos madeirenses em 2008 ascenderam a mais de 523 milhões de euros, quase dez vezes mais que o montante pago nos Açores em igual período (59,8 milhões de euros). Já ao nível nacional foram pagos 3,533 mil milhões de juros referentes a depósitos bancários. Destes, 2,949 mil milhões foram pagos no território continental. Um estudo mais antigo, de 2006, desenvolvido pela Marktet apontava o Funchal como o segundo concelho do país no rácio de empréstimo por agência bancária. As 86 agências bancárias instaladas no concelho de Oeiras concederam, cada qual, 238 milhões de euros. Em segundo lugar surgia o concelho do Funchal, com um total de 76 agências bancárias, o qual apresentava um rácio por agência da ordem dos 235 milhões de euros. Lisboa era o concelho que surgia em terceiro lugar neste domínio, 171 milhões de euros por agência.
