O desemprego registado na Região Autónoma da Madeira não pára de crescer, algo que já acontece há nove meses consecutivos – desde Setembro do ano passado a Junho deste – situando-se agora nos 12.483 pessoas sem trabalho. O cenário cada vez mais negativo não tem paralelo na economia madeirense, já que se recorrermos aos dados estatísticos disponíveis (1970), os últimos seis meses detêm os piores seis registos de sempre.
Os dados divulgados ontem pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional não deixam margem para dúvidas: dos piores 10 registos em 39 anos e seis meses de desemprego registado, sete ocorreram nos últimos sete meses – Dezembro de 2008 (9º) a Junho de 2009 -, sendo que o 7º e 8º postos remontam a 1979, em Fevereiro, com 9.465 desempregados, e Janeiro, com 9.352. O 10º acontecera em Outubro de 1978, ano da tomada de posse de Alberto João Jardim como Presidente do Governo Regional da Madeira, que já levava sete meses no poder.
Tomando outro exemplo, a média de desempregados registados no final de cada um dos primeiros seis meses de 2009 dá 11.448,5 pessoas. Valor que fica, para já, bem à frente das médias de 1970 a 2008.
O valor mais alto registado nos 39 anos anteriores foi, uma vez mais, no ano em que Jardim subiu ao poder, quando na soma mensal e divisão por 12 meses, ascendera a 8.896 pessoas sem trabalho na Região Autónoma. O segundo e terceiro valores mais altos foram registados precisamente no ano passado e no ano anterior, com médias de 8.618 desempregados (2008) e de 8.418 desempregados (2007).
Seguindo a tendência de aumento dos últimos anos, 2006 e 2005 figuram no 5º e 6º lugar das maiores médias anuais, logo atrás do ano de 1987 (7.710), com respectivamente 7.708 e 7.322 desempregados registados por mês.
Maior série terminou em 1977
Outra ‘curiosidade’ estatística tem a ver com a maior série de aumento do desemprego registado. Entre Setembro de 1975 e Fevereiro de 1977 foram 18 meses sempre a subir o número de pessoas sem trabalho, precisamente o dobro do período já referido no primeiro parágrafo.
O período anterior mais difícil aconteceu logo a seguir à Revolução de Abril de 1974. No mês seguinte, Maio, até Julho de 1975, sucederam-se 15 meses de aumento do desemprego registado. A seguir e culminando o período conturbado do fim do Estado Novo e início da Democracia (ou PREC – Período Revolucionário em Curso), apanhou o final do Governo liderado por Ornelas Camacho e o início do ‘Jardinismo’, de Junho de 1977 a Julho de 1978, nuns longos 14 meses sem que a crise de então tivesse fim à vista.
Há ainda um período de 10 meses consecutivos a subir o desemprego, de Junho de 1981 a Março de 1982, que se situou basicamente a meio de quatro períodos de nove meses de aumento, que foram de 1980 a 1986. Pode-se então concluir que, pelo menos estatisticamente, a economia e a sociedade madeirenses há cerca de 23 anos que não via uma situação tão gravosa ao nível do desemprego e do ‘batalhão’ de candidatos a um trabalho.
Mais 47,4% que há um ano
O número de desempregados registados em Junho passado acaba por significar um aumento homólogo de 47,4 por cento. Em Junho de 2008 eram 8.467 sem trabalho, hoje são mais 4.016. A nível nacional, pior só está o Algarve (+91,5%), enquanto a média nacional ficou-se por uns não menos dramáticos 28,1% de aumento em um ano. Na Região Autónoma, o único sinal positivo foi o aumento de ofertas de emprego (+68,8%) em Junho face a Maio (de 154 para 260), no entanto bem abaixo (-24,6%) dos 345 de Junho do ano passado.
GR: mais do mesmo
O Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional dos Recursos Humanos, emitiu o habitual comunicado sobre o desemprego registado com a afirmação: “Continua a notar-se algum abrandamento, uma vez que o aumento em relação ao mês de Maio é inferior ao acontecido entre este e o de Abril”.
Num registo no qual apenas mudam os números, sobra a nota para os sectores de que provêm os novos inscritos no desemprego: 28% da Construção, 25% dos Serviços, 20% da Hotelaria e Restauração e 19% do Comércio.
Outra nota final da ‘cassete’ tem a ver com dados divulgados habitualmente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os últimos dados dão conta que a Madeira tem 6,8% de Taxa de Desemprego no 1º trimestre de 2009, enquanto o todo nacional é de 8,9%. “O que mostra que, apesar da conjuntura desfavorável, a questão do desemprego da Madeira se mantém em níveis mais favoráveis”.
