Estes novos desempregados colocam a fasquia (quase) impossível de ultrapassar, pelo menos assim era de se prever quando olharmos para os números de há poucos anos. Em 39 anos e dois meses de dados que o DIÁRIO dispõe nos seus registos, nunca se vira tais números.
E por mais que se atente às justificações oficiais – crise económica internacional e “estrangulamento financeiro” por parte do Governo da República -, não deixa de ser notório que as melhores estatísticas da Madeira aconteceram em distintos períodos, mas principalmente enquanto a Região beneficiou das grandes obras financiadas pela União Europeia.
Praticamente desde 2002 tem sido sempre a subir, em termos de médias anuais. Com Fevereiro (1º) e Janeiro (2º) de 2009 a serem os piores meses de sempre, seguidos dos mesmos meses, Fevereiro (9.465) e Janeiro (9.352), mas de 1979 – ou seja valores de há 30 anos -, logo a seguir a Dezembro de 2008, com 9.302 inscritos.
Todos os dados em alta
Não é por acaso que 27% dos 10.789 desempregados em finais de Fevereiro deram como profissão a ligação à Construção Civil, seguindo-se 23% nos Serviços – outro sector há muito declarado em ruptura, com a falência e encerramento de empresas -, a Hotelaria e Turismo (21%), que já começa a sentir a crise internacional com a quebra nas entradas de turistas e na saída de madeirenses em férias, e ainda do Comércio (17%). No total, estes 4 sectores representam 88% dos desempregados registados no Instituto Regional do Emprego.
Segundo os dados oficiais, divulgados ontem pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, a Madeira registou o maior aumento mensal de todas as regiões do País, com mais 8,6% face a Janeiro, e o segundo pior valor em termos homólogos (+22,8%), só ultrapassada pelos níveis de desemprego do Algarve (+40,5%).
Outro pormenor estatístico – mas que diz muito do estado da economia regional – é o número de ofertas de trabalho disponíveis. Somente 146 hipóteses (-12% face a Fevereiro de 2008 e igual número face a Janeiro último) para quase 11 mil desempregados. E estamos ainda no início da crise. Dizem os especialistas que a conjuntura negativa internacional pode estender-se por mais um ano ou dois.

