O ministro da Economia, Manuel Pinho, declarou, ontem, em Lisboa, que existem vários investidores interessados na Qimonda, mas ressalvou que a situação da empresa “é muito grave” devido ao “excesso de concorrência”, “queda no preço dos microprocessadores” e dificuldades de financiamento.
“Existem vários interessados, mas não podemos esconder que é uma situação muito grave: a da Qimonda e a da economia internacional. A Qimonda está a sofrer o resultado de vários impactos negativos, seja o excesso de concorrência, a dramática queda dos preços dos microprocessadores e também as dificuldades de financiamento”, disse.
Por seu lado, o presidente da Qimonda AG, Loh Kin Wah, confirmou que existem vários “investidores disponíveis para negociar, porque a Qimonda tem mais de 20 mil patentes e é um líder tecnológico”.
“Neste momento não posso dizer que temos tudo concreto, mas estamos em negociações sérias com alguns dos investidores”, acrescentou.
Noutro sentido, Manuel Pinho defendeu, por seu lado, que “a falência da Qimonda pode ter uma consequência positiva: dar mais flexibilidade à reestruturação das diversas partes do grupo, sendo que as melhores unidades estão em Dresden e no Porto [Vila do Conde]” e por isso “têm mais hipóteses de encontrar investidores”, uma ideia confirmada por Loh Kin Wah.
“Estas unidades são as mais competitivas de todo o grupo e as que têm mais hipótese de encontrar uma solução”, frisou o ministro da Economia, que garantiu ainda que “estão a estudar alternativas que passarão por encontrar investidores dispostos a pegar nas várias unidades” e que o emprego dos trabalhadores é uma grande preocupação.
“O destino dos trabalhadores da Qimonda sempre esteve presente na reunião, porque mais do que falar de politiquices e de questões técnicas, o que temos de pensar é no futuro da fábrica, que é o maior exportador português, e do futuro dos 1.700 trabalhadores”, declarou Pinho.
Também Loh Kin Wah salientou que não quer “dar falsas esperanças” aos 1.700 trabalhadores da fábrica de Vila do Conde. O presidente da “casa-mãe” da Qimonda Portugal falava à saída de uma reunião ontem de manhã em Lisboa com o ministro da Economia e com o gestor do processo de falência designado pelo tribunal de Munique, Michael Jaffé.
“Eu não quero dar falsas esperanças devido à actual situação, porque os bancos estão a ir ao fundo”, afirmou o presidente da multinacional alemã, garantindo que estão “a fazer tudo” o que podem “para manter os empregos” dos portugueses.
Também após a reunião e questionado sobre o valor da indemnização de 100 milhões de euros que o Estado poderá receber neste processo em caso de acabar a Qimonda Portugal, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) não confirmou o valor, mas afirmou que “há um contrato estabelecido e se não for cumprido é claro que o Estado português pode ser ressarcido”.
Basílio Horta rejeitou ainda a possibilidade de a fábrica da Qimonda em Vila do Conde poder vir a ser aproveitada para outro sector de negócio. “Não me parece, não é possível. A Qimonda portuguesa vive fundamentalmente da alemã. Está organizada e o seu processo produtivo depende da Alemanha, portanto creio que não. Agora o que penso que é provável que aconteça é que haja em Vila do Conde um ‘upgrading’ tecnológico e as novas tecnologias possam ser aplicadas em Vila do Conde e em Dresden”.
