Em somente quatro meses do ano passado registaram-se subidas mensais no número de desempregados inscritos no Instituto Regional do Emprego da Madeira. Nos restantes meses os valores foram sempre a descer. Mesmo assim, depois de conhecidos os dados de Dezembro último (9.302 pessoas registadas), foi possível contabilizar o pior 12º mês desde 2003, com um aumento de 6% face ao mês homólogo.
Sendo certo que o portal do Instituto do Emprego e Formação Profissional só tem dados até 2003, quando ainda se estava no pico das obras na Região, com obras por todo o lado, também pudemos contar que desde então os números demonstram uma tendência de subida, com algumas recuperações em alguns meses (o Verão, por exemplo).
Ou seja, se já é mau o final de 2008 ter atingido valores bem acima do que se estava habituado na Madeira, em termos de desemprego, neste momento é possível afirmar com (quase) toda a certeza que a taxa de desemprego aumentou de um ano para o outro (2007).
É que na maioria (8) dos meses de 2008, comparando com os meses homólogos do ano anterior, o desemprego registado é mais alto. Somente quatro meses do ano passado (Janeiro, Julho, Agosto e Setembro) tivemos valores abaixo dos registados em 2007.
Pior, na diferença entre o mês com o valor mais alto e o com valor mais baixo, 2008 ‘bate aos pontos’ 2007. Em Setembro do ano passado, estavam registados 8.184 desempregados. Em Dezembro (três meses depois), estavam inscritos 9.302. Contas fáceis: uma diferença de 1.118 pessoas desempregadas que se inscreveram no IRE da Madeira. A diferença do ‘pior’ (8.895, em Janeiro) e do ‘melhor’ mês (8.130, em Abril) de 2007 é de mais 765 inscritos.
Cada vez menos ofertas
Uma causa lógica deste aumento de desempregados em Dezembro de 2008 é a oferta de empregos por parte das empresas. Uma quebra de 16,3% face a Novembro, de 147 para 123, e um ‘tombo’ de 51% face ao mês homólogo de 2007, quando as empresas tinham colocado 251 propostas de trabalho.
O facto é que as empresas da Madeira estão a recorrer cada vez menos ao IRE para contratar pessoas, que pode ser sinal da situação económica que ‘descambou’ nos últimos três anos e da crise em aceleração desde Setembro do ano passado.
Ora, se a Região está com valores negativos, no país nem seria preciso referir. Até o final de Dezembro estavam registados 416.005 pessoas nos centros de emprego nacionais, um aumento de 6,6% ou mais 25.725 pessoas, face ao mês homólogo e uma subida de 1,8% ou mais 7.407, face a Novembro. O Norte, com 183.893 pessoas, e Lisboa e Vale do Tejo, com 120.664 são as regiões com mais desempregados, mais de 65% do total de desempregados portugueses.
GR mantém discurso
O Governo Regional, através da Secretaria Regional dos Recursos Humanos, mantém o mesmo discurso dos últimos tempos. É que, além de frisar que a taxa de desemprego registado continua a ser mais baixa que em termos “nacionais e europeus” [desde há anos que é assim], a ‘culpa’ tem sido dirigida aos “constrangimentos provocados pelo Governo de Sócrates” à “conjuntura económica nacional e internacional”. A novidade foi a resposta ao Bloco de Esquerda, sobre a referência “sem qualquer fundamento” a 12 mil desempregados na Região.
