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Jul 14

71% SEM ENSINO SECUNDÁRIO

Apenas 51% do total de jovens da Região, em idade de frequentar o ensino secundário, entre 1997 e 2004, efectuaram a matrícula. Esta foi uma das conclusões a que chegou a investigadora Liliana Rodrigues, do Centro de Investigação em Educação da Universidade da Madeira (CIE-UMa). Na tese de doutoramento sobre “A integração escolar dos alunos do ensino profissional nível III nas escolas públicas da Região Autónoma da Madeira”, a docente começou por fazer uma abordagem ao ensino secundário no geral, tendo também concluído que, dos 51% dos alunos que se matricularam no período do estudo (82.881), apenas 58% terminaram o 12.º ano. Os dados poderiam ser mais dramáticos, segundo a autora do estudo, se tivermos em conta que o cruzamento entre o número total de jovens madeirenses e matriculados, entre 1997 e 2004, teve como referência uma faixa etária entre os 15 e os 20 anos, por ser, segundo a Secretaria de Educação, a média de idades com que os alunos terminam o ensino secundário, quando a idade normal de conclusão deveria ser os 18. Feitas todas as contas, apenas 29% do total dos jovens madeirenses concluíram o ensino secundário com sucesso. “Estamos muito atrás da média europeia, que ronda os 55%”, sublinha a investigadora. Liliana Rodrigues explica, na sua tese de doutoramento, que 34.263 abandonaram os estudos ou não tiveram aproveitamento na escola e outros 79.911 nunca se inscreveram nas escolas secundárias da Região. Assim sendo, 71% dos jovens (114.174) ficaram sem ensino secundário, entre 1997 e 2004. Face a esta situação, Liliana Rodrigues deixa a seguinte pergunta ao poder político da Região: “É a escola lugar de igualdade de acesso e de oportunidade?”Ensino profissionalO estudo faz também a comparação entre as diferentes formas do ensino secundário: regular, tecnológico, nocturno e profissional. Entre 1997 e 2004, 92% dos alunos estavam matriculados no ensino regular e nocturno. Os restantes 8% frequentavam o ensino profissional. Contudo, Liliana Rodrigues destaca a comparação entre o ensino nocturno, que englobava o recorrente e o pós-laboral, e o ensino nocturno profissional. No total, 87% dos alunos não terminaram os cursos do ensino recorrente e pós-laboral, enquanto que, no ensino nocturno profissional, apenas 21% não concluíram os cursos. “O que é curioso é que se diz que o ensino nocturno tem sido uma mais-valia para os alunos. Eu pergunto: Em quê?” Liliana Rodrigues sublinha que as “ofertas são as mesmas que as do ensino geral”. Nesta ordem de ideias, a docente deixa outra questão: “Porque é que não se assume de uma vez por todas que a escola precisa de ensino profissional? Nós continuamos a insistir no ensino académico, que é um ensino caduco, porque, inclusive, a maior parte dos alunos que estão no ensino regular não querem a universidade.” No entanto, se no ensino profissional a taxa de sucesso é maior do que a do ensino regular e nocturno (ver gráficos), existem outros “revés”. A integração dos alunos no ensino profissional é difícil e os professores, nas escolas públicas, não possuem qualquer formação nesta área. “Os próprios professores não pedem essa formação”, diz Liliana Rodrigues. A investigadora comparou o que é feito ao nível do ensino secundário profissional na Madeira e o que é praticado na Áustria. Naquele país, refere a docente da UMa, a formação de professores é de nove semestres mais dois anos de experiência profissional. “Em Portugal, nada, não há formação inicial de professores nesta área.” Na Áustria, há formação contínua, em Portugal, não existe. Aos formadores portugueses é exigido o Certificado de Aptidão Profissional (CAP), na Áustria é-lhes pedida formação pedagógica mais quatro anos de experiência profissional. Liliana Rodrigues reconhece que seria difícil para Portugal, em particular para a Região, estar no mesmo patamar do que um país como a Áustria, mas sublinha que podemos “aprender” com o seu exemplo.

 

 


Recomendações

Abertura dos cursos técnico-profissionais nível III (secundário) nas escolas públicas através do modelo escolar compreensivo.

Oferta de formações pós-secundárias.

Garantir apoio jurídico nas escolas.

Ensino técnico-profissional nível II não deve ser uma modalidade especial de ensino se especial significar exclusão institucional.

Existência de um currículo nacional para o técnico-profissional nível III.

Que o ensino técnico-profissional não se limite a dirigir os alunos para a vida profissional, mas para a vida dos homens.

Substituição de ensino profissional por ensino vocacional.

Que as universidades e centros de formação garantam formação inicial e contínua do ensino técnico-profissional nível III.

Que os cursos académicos tenham elementos vocacionais e que os cursos profissionais tenham elementos académicos.

Reflectir sobre a finalidade ética e moral da escola.

Reflexão sobre as representações sociais e culturais e análise crítica acerca da organização social.

 

Fonte: DN
  • Julho 14, 2008
  • Élio Pereira
  • 1 Comentário
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1 Comentário

  1. Formador
    Julho 20, 2008 at 11:43 am · Inicie a sessão para comentar

    Como pode ter sido possível terem passado estes números completamente absurdos?

    A SREC indica 16 mil para os 114.000 avançados no estudo…

    E uma questão: em todo o processo que se seguiu à publicação no DN, alguém já encontrou alguém a defender os números de Liliana Rodrigues?

    Não…
    Só vitimizações.

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