Os pedidos de ajuda por parte de cidadãos estrangeiros, junto da Igreja Presbiteriana do Funchal, têm aumentado nos últimos tempos, em paralelo com o número de imigrantes beneficiários do subsídio de desemprego na Região. Em 2006, o número de desempregados de nacionalidade estrangeira atingiu os 378 e, em 2007, subiu para 425. Segundo o pastor da Igreja Presbiteriana, Jorge Gameiro, “já aconteceu e há casos” de imigrantes que, findo o subsídio e esgotada a procura por um novo emprego, acabam por ser extraditados.
Para o pastor Jorge Gameiro, em época de crise, o imigrante acaba mesmo por ser o “elo mais fraco”. “Isso é evidente porque, quando estamos em situação de crise, a razão da crise é apontada aos imigrantes e como vivemos agora uma situação de desemprego crescente, vamos ter fenómenos a que já não estávamos habituados, como a xenofobia e o racismo”, alertou.
Segundo dados facultados pelo Centro de Segurança Social da Madeira (CSSM), em 2005, verificaram-se 302 pedidos, em 2006, 378 e, em 2007, 425. Nestes números estão incluídos os beneficiários do subsídio de desemprego, do subsídio social de desemprego inicial, subsídio social de desemprego subsequente e prolongamento do subsídio social de desemprego. De acordo com a direcção do conselho directivo do CSSM, não é possível saber a nacionalidade dos beneficiários, nem ter, para já, acesso aos números relativos a 2008.
Jorge Gameiro referiu ao DIÁRIO que a Igreja Presbiteriana tem apoiado um número crescente de imigrantes desempregados e a precisar de auxílio. “Quando se trata de casais, um ou outro trabalha, vão resolvendo a situação, mas, quando estão sozinhos, as dificuldades são acrescidas”, disse, explicando que o apoio prestado pela Igreja Presbiteriana debruça-se sobretudo no aconselhamento e nalguma ajuda material. “Em alguns casos, ajudamos directamente, mas a Igreja tem um orçamento muito baixo, não somos propriamente a Segurança Social”, frisou, realçando que o auxílio é dado principalmente às “situações mais dramáticas” e que apresentam maior fragilidade. Nos últimos tempos, os stocks de roupa, por exemplo, têm ‘voado’, cenário que não se verificava há muito.
Os pedidos de ajuda partem, na maioria, de cidadãos de nacionalidade ucraniana, que, segundo o responsável, mesmo em dificuldades, “vão atrasando o regresso” ao país de origem, uma vez que a Ucrânia vive uma situação actual complicada. Nesses casos, acabam por fazer um grande esforço porque não têm condições. Contudo, Jorge Gameiro recorda que há imigrantes ilegais no país e que a lei portuguesa “deixa a desejar”, dado que proíbe qualquer actividade quando são detectados, enquanto têm de esperar cerca de seis meses até que o Estado encontre uma solução. “O Estado, que é tão exigente, está a aumentar os índices de criminalidade”, sublinhou, justificando esta afirmação com a saída por eles encontrada para conseguirem, “de alguma forma”, sobreviver numa sociedade que pouco ou nada conhecem.
Cenário é abrangente
No continente, o número de imigrantes com subsídio de desemprego também tem disparado. Dados divulgados pela Segurança Social apontam que houve um aumento de 25% em 2008. Os pedidos subiram, em particular, entre os cidadãos de nacionalidade brasileira e ucraniana. Entre os africanos, o crescimento foi menor.
Em relação à evolução registada na Região, o secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, reforçou o facto de estarem legalizados e a usufruir do subsídio a que têm direito nessas condições e apontou que, uma vez integrados na Região, ficam “sujeitos às contrariedades” a que os locais também estão, beneficiando também dos direitos e deveres.
