A freguesia do Arco de São Jorge deverá ser caso raro, para mais na actual conjuntura económica. Segundo os dados que a presidente da Junta de Freguesia, Fátima Camacho, diz ter em sua posse, a expressão da taxa de desemprego “é praticamente nula”. Os últimos cinco desempregados na localidade estão já no processo de recrutamento.
Numa comunidade que atinge os cerca de 550 habitantes, a autarca responsabiliza o sucesso deste fenómeno anormal à Casa do Povo (maior empregadora), à Quinta do Arco e ao pequeno comércio que existe na localidade.
A restante massa assalariada, a presidente diz trabalhar fora da freguesia, sobretudo nos sectores terciário e ainda na construção civil. Os que ficam e que não exercem funções atrás mencionadas dedicam-se à agricultura, retirando dividendos dessa prática.
Um dos casos que mais surpreendem é o crescimento da empresa de inserção social ‘Doces Tradições’ que caminha para o terceiro ciclo de vida. Actualmente, emprega 9 funcionários e apresta-se para contratar as últimas cinco pessoas desempregadas.
O pedido já foi solicitado ao Instituto do Emprego da Madeira, o qual suporta 80% dos gastos com o funcionário no período de profissionalização. “É uma importante ajuda, mas existem outras entidades com as quais mantemos protocolos e sem as quais não podemos deixar de lado pela importância neste projecto social”, sustenta.
Todos nesta empresa associada à Casa do Povo do Arco de São Jorge dedicam-se à confecção de iguarias tradicionais, com especial destaque para o ‘pão de Santana’ e as rosquilhas de vários sabores. O número tem vindo anualmente a crescer e todos os dias, pelas 5:30 da manhã, saem em direcção ao Funchal 270 pães.
Não há mãos a medir
As encomendas chegam a ter um volume considerável, ao ponto de a empresa necessitar de estender o espaço físico. As duas cozinhas, uma delas a laborar quase exclusivamente para a confecção diária de refeições para os 35 idosos do concelho, não chega. Foi preciso arranjar outra para cozer o pão e os doces.
Empresa é importante
Na passada terça-feira, o DIÁRIO esteve no local a verificar como se trabalha, por forma a satisfazer os pedidos da clientela. As cadeias de supermercados do Pingo Doce e Sá são actualmente os grandes consumidores da ‘doces tradições’. Durante a reportagem, visitámos o centro experimental de viticultura, onde Lígia Pinto e Filomena Ribeiro preparavam várias travessas de rosquilhas. Satisfeitas, garantiram que “a empresa foi uma grande ajuda à população”.
Modelo entra em acção
Os consumidores madeirense parecem despertar para estes produtos regionais, ao ponto de haver contactos com outras superfícies comerciais para a comercialização dos produtos. O ‘Modelo’ é uma delas.
Rótulo e imagem própria Rui Moisés, presidente da Casa do Povo do Arco de São Jorge, um dos mentores do projecto, adiantou que um dos próximos passos será criar uma imagem própria dos rótulos. Até ao momento as cadeias têm emprestado as respectivas imagens.
O presidente sublinhou o investimento que tem vindo a ser feito e a importância da colectividade. “No total, empregamos 23 pessoas e naturalmente que, além da importância social, acarreta mais responsabilidade à Casa do Povo”, observou.
Fonte: DN
