Após 33 anos de actividade sindical e 25 como dirigente do Sindicato de Hotelaria, Luís Fernão deixa a liderança. A 8 de Abril, os órgãos sociais deste sindicato serão renovados «dando lugar a sangue novo», segundo as suas palavras, «porque já é tempo».
Dando a cara por um sector que, na sua opinião, se caracteriza actualmente pela «muita precariedade de polivalência», este sindicalista disse que nos dias de hoje «é mais difícil levar a cabo o trabalho sindical». Circunstância que se deve ao facto dos «trabalhadores terem recuado na defesa dos seus direitos», derivada das últimas alterações feitas no Código do Trabalho. «Tivemos a revisão do pacote laboral e estas coisas vão desestabilizando», referiu, destacando que «com muitos contratos a termo, os trabalhadores em vez de avançar recuam e as entidades patronais avançam». Assim sendo, adiantou que a luta dos trabalhadores vai enfraquecendo e quem fica a lucrar é a entidade patronal.
Luís Fernão referiu ainda que as dificuldades acontecem também na negociação com a entidade patronal, na medida em que «foram aprovadas leis que vão contra os trabalhadores».
«É hoje dificil negociar a contrato quando o patronato é apoiado por uma lei criada por um governo que se diz socialista, que é pior que o Salazar».
O presidente do Sindicato de Hotelaria faz notar que com as recentes leis verificam-se «falências e despedimentos todos os dias». Realidade relativamente à qual a Região não escapa, pois «numa ilha tão pequenina já se nota perseguição e despedimentos», sublinhou.
No entanto, «lutar contra a exploração do homem contra o homem» é, de acordo com Luis Fernão, a sua maior conquista enquanto sindicalista.
Com a eleição dos novos corpos dirigentes em Abril, o dirigente sindical espera que estes «actuem em benefício dos direitos de quem trabalha» e que, para o futuro no mundo laboral, «acabe de uma vez para sempre esta exploração», desejando que os trabalhadores portugueses sejam todos «remunerados e não explorados e que tenham uma vida melhor».
Fonte: JM
