Assédio, violência doméstica, salários mais baixos e, posteriormente, reformas inferiores. Apesar dos avanços que não podem ser negados, há aspectos na sociedade e problemas que continuam a residir na esfera do feminino. O dirigente da União dos Sindicatos da Madeira (USAM), Pedro Carvalho, é firme: nos tempos que correm, “a mulher é mais assediada nas empresas”. “Muitas entidades patronais não conseguem evoluir no sentido de contribuir para as mudanças de mentalidades”, reforça.
Embora frisando que o problema “não é geral”, Pedro Carvalho acredita que o intensificar desta situação pode estar relacionado com a crise, adiantando que o assédio, nas diferentes formas, também ocorre no masculino. Contudo, acredita que as mulheres são as principais vítimas.
“Quanto mais precariedade e dificuldades a família tem, mais algumas entidades tentam o assédio”, atira, acrescentando que ainda persiste uma diferença de salários entre sexos. Uma das maiores dificuldades que aponta para a resolução destes casos é o medo que advém da denúncia. Como explicou, muitas mulheres remetem-se ao silêncio com receio das consequências.
Em relação à formação, garante que “há mais desemprego qualificado nas raparigas do que nos rapazes”. Porém, acredita que, “na sociedade moderna, já não há diferenciação nos empregos”, embora, nalguns sectores, tal ainda faça sentido. “Tudo indica que se caminha para a igualdade, mas isso implica sacrifício de toda a sociedade”, frisa.
A importância da autonomia
O número de vítimas de violência doméstica atendidas e acompanhadas pela associação Presença Feminina tem vindo a crescer gradualmente desde 2006. A presidente da associação, Helena Pestana, considera ser importante que, na sociedade actual, “as mulheres adquiram um sentimento de autonomia e de controlo sobre as próprias vidas”, algo “fundamental na construção ou ‘reconstrução’ da dignidade, enquanto pessoa e enquanto mulher”.
“O facto de as mulheres tomarem parte em todas as esferas da vida e do trabalho, a par e passo com os homens – e não ‘atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher’ -, é uma questão de justiça e um extraordinário passo em frente no progresso da humanidade”, afirma, garantindo que “só assim lhes será reconhecida uma digna, desejada e efectiva ‘presença feminina’ em todas as sociedades do mundo”.
“Há sempre uma saída”
“O objectivo é que não houvesse ninguém vítima de violência doméstica”. A presidente do Conselho Directivo do Centro de Segurança Social da Madeira (CSSM), Bernardete Vieira, considera que a evolução tem sido “positiva” neste aspecto, uma vez que “as mulheres já têm coragem de assumir” e de se libertarem de uma situação de maus tratos.
Em 2008, ao CSSM chegaram 100 novos casos de mulheres vítimas de maus tratos que foram, posteriormente, apoiadas e seguidas de perto. A responsável acredita que, hoje em dia, as mulheres já têm mais consciência do papel que assumem na sociedade, libertando-se desse tipo de vida. “Há sempre uma saída”, reforça.
“O apelo vai nesse sentido, de não se deixarem ser violentadas”, refere, sublinhando que a violência doméstica é um “problema transversal” a todas as classes sociais, embora mais resistente junto de mulheres com uma baixa escolaridade, ao nível do primeiro ciclo.
Dia de iniciativas
No âmbito do Dia Internacional da Mulher que hoje se assinala, a Câmara Municipal de Santa Cruz organizou uma série de iniciativas para comemorar a data. Em conjunto com o Núcleo Regional da Liga Portuguesa contra o Cancro, a autarquia realiza hoje várias acções de informação sobre o cancro da mama pelo concelho, complementadas com várias marchas, com a participação especial da atleta Aurora Cunha. A primeira sairá às 9h30 da igreja matriz do Caniço e a última, pelas 13h30, do Largo da Achada, na Camacha.
Também no concelho de Santa Cruz, a Junta de Freguesia de Gaula promove hoje um almoço comemorativo do Dia Internacional da Mulher. O encontro decorrerá no salão paroquial da igreja de Gaula, a partir das 13 horas, e será animado pela banda ‘Cool Night’.
