É uma decisão polémica que está a voltar vários comerciantes e a direcção da Associação de Comércio e Indústria de Machico (ACIM), contra a Câmara Municipal de Machico. O caso já tem contornos políticos e divide o PSD no concelho.
O ‘caldo entornou’ na semana passada, após o presidente da autarquia machiquense, Emanuel Gomes, ter mandado encerrar a feira (inicialmente prevista para durar até Setembro), e retirar da promenade os ‘stands’. Tudo porque o autarca diz-se insatisfeito com “a falta de qualidade e dinamismo deste evento”.
Ora, a decisão provocou uma clivagem junto dos empresários e comerciantes machiquenses. Do lado da Câmara estão aqueles que discordam da forma como a feira estava a ser promovida, bem como aqueles que discordavam dos baixos preços dos produtos que ali estavam a ser vendidos. Do lado oposto, insatisfeitos contra a Câmara, estão os onze comerciantes que aos sábados e domingos promoviam os seus produtos naqueles ‘stands’ e a direcção da ACIM.
A decisão da autarquia machiquense foi tomada de forma progressiva. Primeiro, informou a ACIM e os comerciantes que a feira seria encerrada, depois mandou cortar o fornecimento de luz para o local e durante esta semana quer que os stands sejam desmontados. A verdade é que o DIÁRIO esteve presente no último dia em que esta feira funcionou e constatou um movimento de pessoas bastante significativo.
Comerciantes contra a Câmara
O desagrado é extensível a todos os comerciantes. A representação do restaurante ‘Moinho Velho’, foi das que mais protestou pela decisão tomada e pelo corte de luz. A vender principalmente bebidas (sumos, cerveja e sidra), os dois funcionários passaram o fim-de-semana a carregar gelo para o stand para que as bebidas se mantivessem frescas. Um deles, Paulo Jorge, expressou-se contra a decisão da autarquia. “Nós trabalhamos aqui ao sábado e domingo e quando a praia está cheia de gente fazemos um bom negócio. A decisão da Câmara não tem cabimento. Eles não tinham nada que mandar fechar os negócios, para mais em época de crise”.
Mais à frente, a responsável pela padaria ‘Mariazinha’ também criticava a decisão da Câmara. “Eu aqui trabalho mais do que ganho, mas tenho consciência que é importante estar a promover os meus produtos e o melhor sítio para o fazer é aqui junto à praia. Discordo completamente da decisão da Câmara. Acho que é má ideia”, disse. Outra comerciante, em representação da Associação de Jovens Empresários, promovia a venda de produtos agrícolas. Apesar de ter optado pelo anonimato, esta agricultora disse que agora vai perder os clientes que já tinha fidelizado. “É menos dinheiro que ganho”, afirmou.
Contactada para comentar este assunto, a presidente da ACIM, Zita Cardoso, respondeu por escrito com a mesma carta que tinha sido enviada à Câmara. Esta explicou que a feira só funciona aos fins-de-semana, “porque o seu objectivo é a dinamização do comércio nos dias em que um certo mercado visita a baixa de Machico. São os proprietários que asseguram a dinamização comercial”. E afirma mais. “É positiva a opinião publica deste mercado de fim-de-semana, o qual é bastante concorrido. Os produtos expostos têm qualidade, não sendo de ciganos ou chineses”. A carta termina solicitando à Câmara que mantenha a feira durante todo o Verão.
Presidente da Câmara: “Disto temos no Santo da Serra”
Instado a comentar o encerramento unilateral desta feira, Emanuel Gomes teceu palavras duras à direcção da ACIM. “Esta feira, tal como está a ser desenvolvida este ano, não atinge o objectivo que nós pretendemos para Machico. Uma Associação de Comércio e Indústria deve ter a responsabilidade de saber que uma feira destas se faz com um certo nível e qualidade e deve contar com empresas participantes que demonstrem a dinâmica comercial e industrial de Machico”.
O autarca não se fica por aqui e critica o modo como a feira foi promovida. “O nível de representação fica muita aquém daquilo que Machico merece. Esta praia é visitada por milhares de pessoas que certamente se apercebem que esta feira é um mau espelho da dinâmica comercial do concelho”.
Por isso, Gomes disse pretender um evento com a dimensão e dignidade que Machico merece. “Esta feira não tem o apoio da Câmara. Não basta pegar em meia dúzia de barracas onde se vende batatas, livros e blocos, abrir apenas ao Domingo para se dizer que é uma feira. No Funchal e Porto Santo vemos boas feiras industriais. Se as pessoas não têm capacidade para fazer melhor que fechem a porta. As coisas ou se fazem com a dignidade e dimensão que merecem ou então não se fazem. Disto temos no Santo da Serra igual. Disto, Machico não precisa”, concluiu.
