A crise económica na Ucrânia e o reagrupamento familiar explicam a subida dos ucranianos para segunda maior comunidade estrangeira em Portugal, disse ontem à Lusa o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal.
De acordo com Paulo Sadokha, a comunidade ucraniana em Portugal cresceu até 2004, “ano em que acabaram as grandes obras públicas em Portugal”, a que se seguiu uma crescente diminuição até 2007, com a saída de muitos trabalhadores para outros países, como Espanha e França.
A Revolução Laranja na Ucrânia, no final de 2004, e os anos de desenvolvimento económico que se seguiram levaram também ao regresso de muitos ucranianos ao seu país, explicou. “A crise em Espanha, sobretudo na área da construção civil, e noutros países, fez com que muitos deles regressassem a Portugal, ao mesmo tempo que a crise na Ucrânia faz aumentar de novo a emigração”, disse Paulo Sadokha.
O dirigente associativo destacou também a nova legislação portuguesa, que veio facilitar o reagrupamento familiar. “Muitos ucranianos aproveitaram as novas condições e mandaram vir os seus filhos e outros parentes, não para trabalhar mas apenas para estarem juntos”, acrescentou.
Os ucranianos passaram de 39.480 indivíduos em 2007 para 52.494 em 2008, tornando-se na segunda maior comunidade estrangeira em Portugal, depois dos brasileiros e ultrapassando os cabo-verdianos.
Um relatório sobre Imigração, Fronteiras e Asilo, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), indica que em 2008 residiam legalmente em Portugal 440.277 estrangeiros, um aumento de um por cento face a 2007.
