As reacções à proposta da Associação Industrial e Comercial do Porto Santo para criação de um regime de ‘layoff’ específico para as empresas locais aplicarem aos seus trabalhadores não caiu nada bem junto dos sindicatos e dos trabalhadores.
A ideia, lançada ontem por José António Castro, após reunião da direcção da ACIPS com a mesa da hotelaria – ver edição do DIÁRIO de 05/08/2009 – veio na sequência da hipótese de alguns hotéis estarem a pensar encerrar portas no Inverno, tendo em conta os enormes custos que estão a ter com o pessoal, sem o devido retorno em termos de ocupação. Devido ao momento de crise, nem o mês mais forte promete boas taxas de ocupação, o que tem gerado muita preocupação dos hoteleiros.
Segundo o dirigente, a ocupação ronda os 40% a 50% nesta altura. E sem “nenhum operador turístico para garantir voos directos no Inverno”, a solução é “repensar o turismo”. Castro acrescentou: “Vivemos de micro-empresas, essencialmente nos serviço virados para o turismo. Um regime ‘layoff’, tendo em conta a especificidade do Porto Santo e que permanecesse enquanto tivermos esta situação precária, em termos financeiros, era ideal. Seria uma ajuda aos hotéis, restaurantes e outras deste mercado, para que quando os trabalhadores chegassem ao término dos contratos, fosse suportado parte do valor do desemprego, mas que os mantivessem nos seus postos de trabalho a obter formação contínua”, sugeriu.
Para o Sindicato de Hotelaria e Similares da Região Autónoma da Madeira esta ideia não se revela como a melhor forma de solucionar o problema. Os trabalhadores, que reagiam à notícia, desconfiam que poderá ser uma oportunidade de muitos patrões mandarem os trabalhadores definitivamente para o desemprego, preocupados também com a quebra no salário e consequentes dificuldades em sustentar as famílias. A representante do sindicato na ilha desconfia da ideia, apesar de preferir não acrescentar muito por desconhecer o teor da ideia da ACIPS.
Noélia Câmara afirmou, no entanto, que esta situação já acontece, quando em Setembro, os patrões dispensam trabalhadores. “A situação na hotelaria tende a piorar no futuro”, analisa. “Nesta época alta, as empesas fazem os contratos com as pessoas, mas depois chegamos a Setembro e mandam-mos para casa”.
Mesmo reconhecendo haver nos hotéis pessoas com contrato efectivo, lembra que o trabalho tem sido baseado em estagiários e contratos eventuais. “Não acredito que os hoteleiros queiram dispensar trabalhadores para encerrar no Inverno. Para o sindicato, esta opção está fora de hipótese, nem concordaremos”, garante. Haverá cerca de 400 trabalhadores sindicalizados, poucos tendo em conta a dimensão do sector. Até podiam ser mais, “não houvesse medo de represálias”, conclui.
O DIÁRIO tentou ouvir ainda a direcção deste sindicato, mais avalisado para dar uma resposta em concreto, mas até ao fecho de edição tal foi possível.
