Lino Abreu apresentou, com pompa e circunstância, em Dezembro de 2004, o projecto inovador da Associação de Comércio e Serviços, a que presidia. E em Janeiro do ano seguinte, numa conferência de imprensa, prometeu que quinze dias depois os comerciantes madeirenses iriam receber o Cartão das Ilhas Atlânticas.
O propósito deste responsável era de que os pequenos empresários que operam no comércio tradicional dispusessem de um novo instrumento de gestão que permitisse a fidelização dos clientes, o acréscimo das vendas e rentabilização do negócio, bem como a projecção noutras regiões na Macaronésia.
O projecto foi alvo de uma candidatura ao INTERREG III-B, sendo propósito da associação representativa dos comerciantes criar uma plataforma tecnológica assente num ‘software’ a ser instalado nos estabelecimentos canários, madeirenses e açorianos. O projecto previa, ainda, o lançamento do portal das ‘Ilhas do Atlântico’.
De acordo com as expectativas da Associação de Comércio e Serviços da Madeira à data, até ao final do projecto 30 mil consumidores teriam acesso ao cartão e às consultas ‘online’ em www.ilhasatlanticas.com. E em 2005, mais de 30 empresários madeirenses já tinham formalizado a intenção em aderir.
Cinco anos volvidos o DIÁRIO foi saber como é que o projecto foi implementado, tendo concluído que apesar de ter recebido dinheiro da União Europeia, o projecto designado de Centro Empresarial das Ilhas Atlânticas nem saiu do papel.
As dificuldades destacadas por Lino Abreu no texto que inserimos em baixo não impediu a Associação de Comércio e Serviços de receber adiantamentos , tendo dado como executado pelas entidades responsáveis.
O DIÁRIO sabe que a Associação de Comércio e Serviços tem para entregar muitos documentos às entidades. E só por essa razão é que não recebeu a totalidade dos apoios dados pela União Europeia, pois na informação que disponibilizou, nunca revelou o facto do projecto nunca ter saído do papel.
Foi a 14 de Maio de 2004 que a candidatura foi aprovada, no valor de 1.089.675 euros, tendo o FEDER co-financiado em 85% (926.224 euros), obrigando os parceiros a assumir uma contribuição própria de 163.451 euros.
Informando os gestores regionais de que tinha executado 100% do que se tinha proposto realizar, a Associação de Comércio e Serviços recebeu 257 mil dos quatrocentos mil que tinha direito, enquanto os parceiros açorianos (178 mil) reconheciam que só tinham executado 16% e os canários 7% – tinha direito a receber – 347.008 – razão pelo qual nunca receberam dinheiro.
Mesmo não tendo enviado cartões aos comerciantes ou garantido a transnacionalidade do projecto, ou seja a sua ligação em rede a Canárias e Açores, Lino Abreu garante que executou a totalidade do projecto e preparava-se para pedir o pagamento dos 143 mil euros que diz em falta, isto em relação ao apoio aprovado.
PT CONFIRMA FRACASSO
Entre os parceiros da ACS figurava a Portugal Telecom que garantia um acesso gratuito à internet em banda larga ou ADSL – com uma mensalidade inferior aos 10 euros – bem como o fornecimento gratuito de e-mail, acesso ao portal NetMadeira, onde poderiam fazer publicidade do seu negócio, via Net, sem qualquer custo adicional. Cinco anos depois, um responsável assume que a PT era parceiro facilitador na área das telecomunicações, admitindo que o projecto por não ter tido “grande adesão por parte dos destinatários teve uma intervenção praticamente nula da nossa parte”.
O contraditório: Lino Abreu desculpa-se com os espanhóis
Lino Abreu confrontado pelo DIÁRIO começou por dizer que o projecto Centro Empresarial das Ilhas Atlânticas “ainda não terminou”, para desde logo confessar que “ainda não tinha sido posto no terreno”.
Justificando o atraso de cinco anos nas “dificuldades sentidas no trabalho de levantamento do comércio tradicional nos três arquipélagos”, o presidente da Associação de Comércio e Serviços responsabilizou o parceiro espanhol – Confederación Española de Organizaciones Empresariales de Tenerife – pelo atraso, “pois eles sentiram dificuldades em criar a base de dados”.
Considerando que o período de elegibilidade ainda não se esgotou, Lino Abreu revela que tem um pedido de pagamento para fazer, pois como revela “só recebemos um terço do valor do projecto”, indicação que não se revelou rigorosa.
Garantido que a associação a que preside levará o projecto até ao fim, “nem que seja sozinha”, o responsável pela ACS garante que o ‘software’ já foi concebido e pago pela associação e que todos os compromissos que assumiu estão executados, como seja o lay-out dos cartões. Ou seja, os 257 mil euros que recebeu foram aplicados no projecto, garante.
Depois de contestar a informação do DIÁRIO, de que o prazo de execução esgotou-se em 2006, Lino Abreu considera que ainda pode por em marcha o projecto cujo atraso na sua implementação é “culpa dos espanhóis, que não fizeram o seu trabalho de casa”.
Fonte: DN
