Não há truques para motivar os outros. É preciso um entendimento claro e sem preconceitos da situação em questão, uma profunda compreensão dos caprichos da natureza humana, tanto na esfera individual quanto em grupo, o estabelecimento de expetativas e metas razoáveis e a adoção de um conjunto equilibrado de incentivos tangíveis e inatengíveis. Em outras palavras, é algo que requer muita reflexão e muito trabalho. Quando uma organização está sob pressão ou em crise, tais desafios tornam-se ainda maiores.
Alguns líderes de destaque nas suas atividades descrevem as suas tácticas na hora de enfrentar estes desafios:
PARTA DA VERDADE – Um confronto realmente honesto é difícil. Ninguém pode tirar conclusões sobre um problema e atirar a culpa nos outros. Para motivar alguém a mudar, é preciso fazê-lo encarar um espelho. Depois, estabelecer aspirações elevadas, mas tangíveis, e, por fim, marchar com o pragmatismo da realidade para as aspirações.
FAÇAM COM QUE SINTAM ORGULHO – Reforce a autoestima individual, instale o processo de feedback positivo, aplauda as iniciativas e os dons naturais, abrace os conceitos e as intenções.
APOSTE NOS VALORES – O segredo para um líder servir de motivação a alguém está antes em respeitar valores simples como honestidade, justiça e generosidade. Nunca tive que comprometer os meus padrões ou valores. É assim que me mantenho motivado e é assim que me empenho para motivar os outros.
SEJA UM DISCO RISCADO – As pessoas não podem – e não irão – ajudá-lo muito se não souberem o que está acontecendo, o que se espera delas e o que o futuro reserva. É preciso repetir as mensagens de direcionamento, inspiração e conforto diariamente, de diversas formas. Quando a comunicação é constante e sistemática para todas as partes interessadas (funcionários, investidores, clientes, mídia ou alta direção) as pessoas sentem-se parte de uma equipa e, mais importante, respeitadas, o que os motiva a vir para o trabalho todos os dias.
CUIDE DE QUEM PODE MENOS – Quem está no topo das organizações – os que ganham mais – costumam esquecer de como as coisas são difíceis para quem está na base. Se um líder conseguir fazer as pessoas da base sentirem que há consideração por elas, se ele estabelecer limites à sua ganância, e os seus funcionários perceberem, a organização inteira vai se sentir inspirada e motivada”.
Seguindo o exemplo da revista Harvard Business Review, a consultoria Tailor Made perguntou a profissionais o que eles fazem para motivar pessoas. Veja as respostas:
“Na minha opinião não se obtém tal prática através da complexidade ou teoria que o valha, mas sim via simplicidade nas relações profissionais. De que forma? Através do diálogo sincero, transparente, verdadeiro e constante entre as pessoas que compõem a organização, seja na forma de pares ou principalmente na relação superior hierárquico e subordinado. A credibilidade nas ações, intenções, informações, entre outras variáveis é o grande trunfo para obtenção de excelentes resultados, não só via motivação, mas principalmente pela inspiração das pessoas que gera prazer e realização no trabalho”.
Miguel Feres – Gerente de RH
“Isto faz lembrar que atrás de um equipamento, máquina, computador ou qualquer processo sempre tem alguém para apertar um botão ou para cumprir uma tarefa. Tendo isto em mente, devemos procurar formas para estimular este público a executarem as suas tarefas, com a devida segurança, com a qualidade requerida e com a produtividade necessária para manutenção de um negócio. Entre as diversas formas para tirar o máximo proveito de uma organização precisamos:
– definir o perfil do colaborador de acordo com a função a ser executada;
– complementar o perfil ideal com programas de treino, tanto técnico quanto de cultura geral;
– estabelecer forma de remuneração que premie a dedicação, competência e produtividade do colaborador;
– estabelecer meios de comunicação entre todos os níveis da organização permitindo que o pessoal da base possa conversar com o presidente da empresa e vice-versa;
– usar transparência nas ações da empresa e principalmente no que é esperado de cada colaborador;
– propiciar ações associativas, principalmente aquelas destinadas a ações sociais internas e externas junto à comunidade;
– permitir a competitividade entre os colaboradores, desde que haja ética nas ações;
– estabelecer ferramentas que force a liderança a conduzir “coaching” regulares com seus subordinados;
– antecipe-se às expectativas do pessoal evitando que uma vontade vire uma reivindicação.
O resultado da somatória destas ações propiciará uma energia voltada única e exclusivamente ao sucesso da organização. O colaborador deve ir trabalhar feliz. Entreviste-o à entrada do turno. O resultado é surpreendente”.
Antonio Trujillo, Gestor de RH
“A política da Latina é a “Gestão Participativa” e “Gestão por Resultado”. A empresa procura implementar e manter um ambiente de trabalho fundamentado no comprometimento dos colaboradores com os resultados da empresa. Na prática, isto é realizado com a redução de níveis hierárquicos e remuneração compatível com o tamanho da empresa e do mercado. Além disso, a Latina investe no bem-estar dos seus funcionários, patrocinando desportos e atividades culturais. Internamente, a empresa mantém uma área de recreação e lazer para jogos, onde fazemos torneios com a finalidade de integração entre os colaboradores.
A estratégia principal da empresa é o capital humano. Por isso, saúde e segurança no trabalho fazem parte de uma política efetiva da empresa, compreendendo ações educativas e preventivas, exames periódicos e condições adequadas no ambiente de trabalho. Um dos programas implantados pela Latina, o “Empresa da Saúde”, tem como objetivo realizar um trabalho preventivo, através da identificação de grupos de pessoas com predisposição à determinadas doenças. Para esta população, são realizados exames específicos e palestras. O convênio médico é estendido aos dependentes. Enfim, procuramos atender às necessidades do funcionário de modo que ele se sinta parte do processo, e investimos no seu potencial para, juntos, realizarmos um trabalho melhor e mais prazeroso”.
Valdemir Dantas
“Acreditamos que a obtenção da melhor performance das pessoas dentro de nossa organização é consequência direta do clima existente. E esse clima é totalmente impactado pelos diversos estilos de liderança existentes na empresa. Assim, temos convicção de que os líderes têm papel fundamental neste processo de obtenção da melhor performance. Portanto temos feito na Atlas Schindler exercícios constantes junto aos diversos líderes, nos quais promovemos uma reflexão profunda a respeito da importância dos seus papéis. Essas reflexões estão suportadas por avaliações 360 graus, nas quais os líderes recebem feedbacks de seus subordinados, gestores e pares, com uma consequente elaboração de planos de ação. Obter o máximo de desempenho tem a ver, obviamente, com colocar as pessoas certas nos lugares certos, estar atento permanentemente para as diferenças individuais da equipa e, principalmente, acreditar verdadeiramente que o local de trabalho também é um lugar para se viver e ser feliz. A máxima performance, por longos períodos de tempo, é decorrência disto”.
Vladmir Stancati – Supervisor de Treinamento & Desenvolvimento
