Em 2019, o Instituto de Emprego da Madeira (IEM) apresentou às empresas 15.750 candidatos para serem entrevistados. Daquele universo apenas foram colocados 1.744 desempregados por ajustamento directo às ofertas de emprego no mercado de trabalho, menos 194 do que no ano anterior, apurou o DIÁRIO junto da Secretaria Regional da Inclusão Social e Cidadania. Em 2018 foram postas a trabalhar, por intermediação do instituto público, 1.938 pessoas. A diferença encontrada entre um ano e outro tem pronta justificação do IEM: em 2019 registou-se uma diminuição do número de ofertas comunicadas ao organismo, na ordem dos 8,4%. Também o nível de exigência das entidades, o desajustamento entre a oferta e a procura de emprego e a satisfação das necessidades de recrutamento por meios próprios, contribuíram para a redução do número de colocações no ano passado.
Outro dado curioso que esteve também na base na diminuição do número de candidatos colocados foi a “diminuição mais significativa no volume de candidaturas a apoios financeiros para a criação de postos de trabalho, em comparação às ofertas que não contemplam este apoio. Esta observação aponta para uma maior capacidade financeira do tecido económico da região, uma vez que, segundo os últimos dados do INE, a população empregada continua em crescimento na Região”, explica o IEM.
Hotelaria na frente
Do universo total o sector dos serviços foi o que absorveu mais colocações: 1.469, ou seja 84,2% do total registado ao longo do ano.
Quatro sub-sectores agregaram 63,3% das colocações efectuadas: à frente está o alojamento, restauração e similares com 462 colocações (26,5%). Segue-se a Administração Pública, Educação, Actividades de Saúde e Apoio Social, com 262 colocações (15,0%).
Surgem depois as entradas no comércio por grosso e a retalho, que totalizaram 196 colocações (11,2%). Por último as actividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio, com 184 colocações (10,6%).
Em termos de profissões destacam-se os trabalhadores dos serviços pessoais, que compreendem as tarefas e funções dos assistentes de viagem, cobradores, guias-intérpretes, cozinheiros, empregados de mesa e bar, cabeleireiros, esteticistas e similares, governantes domésticos, encarregados de limpeza e de trabalhos domésticos e outros trabalhadores dos serviços pessoais, com 297 colocações (17,0%). Os vendedores somaram 224 empregos (12,8%), os empregados de escritório, secretários em geral e operadores de processamento de dados, 129 colocações (7,4%). Já para trabalhos de limpeza foram efectuadas 110 colocações (6,3%).
Estes quatro grupos assumem 48,5% das colocações efectuadas ao longo do ano de 2019.
15.324 desempregados
Ao longo de 2019, foram encaminhados 433 desempregados para acções de formação disponibilizados pelo IEM.
No final do ano, estavam inscritos 1.558 desempregados com formação superior, o que corresponde a um decréscimo de 10,8% face ao final de 2018. Os desempregados com habilitações iguais ou inferiores ao 1.° ciclo correspondiam a 27,3% dos inscritos. Na contabilidade global existiam na Região 15.324 desempregados, menos 921 face a 31 de Dezembro de 2018.
São três as condições básicas para uma inscrição no IEM ou em qualquer centro de emprego: disponibilidade imediata para aceitar um emprego; capacidade para o trabalho e estar à procura activa de ocupação. Sem estas três condições, cumulativas, não faz sentido uma inscrição, segundo o IEM.
Segundo o Instituto de Emprego outro dos motivos de base para a não colocação de mais pessoas no mercado é a aparente indisponibilidade imediata para o trabalho que muitos dos desempregados apresentam no momento de apresentação às ofertas de emprego. Esta situação, assegura o IEM, mostra que, alguns desempregados, embora não tendo um trabalho, não estejam verdadeiramente à procura de emprego ou, pior, interessados em trabalhar.
Por esse motivo os serviços de emprego têm imprimido um maior rigor na avaliação das condições essenciais para uma inscrição para emprego, nomeadamente, ter capacidade para o trabalho, ter disponibilidade imediata para a inserção profissional e estar à procura de emprego.
Cumulativamente, a cada atendimento presencial, são reavaliadas as condições acima referidas, bem como, são estabelecidos contactos periódicos com grupos de candidatos, identificados como de maior dificuldade de inserção, para acompanhar e avaliar se mantêm as condições para o trabalho.
Acesso on-line
As principais prioridades para 2020 são encontrar uma resposta adequada de modo a minorar a duração dos períodos de desemprego e a apoiar a criação de postos de trabalho.
O combate ao desemprego jovem e ao desemprego de longa duração, fenómenos com impactos profundos na sociedade actual e futura, e aprofundar a inserção no mercado de trabalho de quem padece de condições particulares que conduzam não só à exclusão profissional, mas também à pobreza à marginalização social, são os grandes objectivos do IEM para 2020.
“Numa era digital, estamos a trabalhar no desenvolvimento de sistemas de informação que venham permitir, a muito curto prazo, o acesso aos serviços do Instituto de Emprego através de plataformas on-line, facilitando e garantindo assim, proximidade e celeridade nos serviços prestados”.
O organismo público está também neste momento a programar acções de contacto com o tecido empresarial da Região, para auscultação das suas necessidades reais, na tentativa de oferecer respostas mais ajustadas à realidade local.
Roberto Ferreira – Diário de Notícias
