Pode não parecer, mas a entrevista é uma das partes mais “obscuras” de todo o processo seletivo. Isso por que ela não depende só do candidato, mas da pessoa que o estará entrevistando e dos métodos que serão utilizados.
Na verdade, os critérios das entrevistas são uma caixinha de surpresas – “tudo sempre depende muito do candidato e daquilo que a empresa está querendo dele”, diz Rosana Mezzetti, gerente de aconselhamento da KPMG.
Normalmente a entrevista avalia a personalidade, ou seja, os aspetos pessoais do candidato são compatíveis com aquilo que a empresa está procurando. Existem estilos variados que se adaptam às necessidades do entrevistador, para que ele possa tirar do candidato o maior número de informações possíveis e, ao mesmo tempo, testar algumas das suas capacidades.
Alguns procedimentos são tradicionais, como a técnica dirigida, onde a entrevista é como uma pesquisa e o candidato responde basicamente sim ou não às perguntas, e a técnica aberta ou mista, que é a mais comum nos processos seletivos e deixa a pessoas mais a vontade para responder as perguntas da forma que quiser.
“O que as entrevistas procuram tirar dos candidatos é a sua capacidade de comunicação. Na maioria das vezes não dá para saber o que as pessoas esperam de si, mas manter a calma, ser sincero, autêntico, humilde, honesto e pontual é o segredo para passar por qualquer surpresa que esteja preparada para si!”, comenta Miguel Fernandes Barros, do Grupo Foco.
Saiba como agir nos diferentes tipos de entrevista
Uma entrevista nunca é igual a outra – quem já teve a experiência de passar por mais de uma entrevista sabe bem disso. Durante os processos de seleção, criam-se vários tipos diferentes para, digamos, apanhar o candidato de surpresa. Selecionamos algumas dicas para você conseguir passar por essa experiência sem nenhum trauma futuro:
Entrevista de seleção por competência
Esse é o tipo mais comum atualmente. Primeiramente, as empresas fazem um mapeamento de competências necessárias para cada um dos cargos do organograma. Assim, para cada vaga trabalhada, o entrevistador já tem definidas as competências desejadas e avalia os candidatos com esse foco. As competências estão divididas em três grupos: atributos, que são as características pessoais como flexibilidade, liderança e empreendedorismo; prática, grupo das competências relacionadas à postura profissional e relacionamento interpessoal; e técnica, reunião das competências técnicas.
Stress
Aqui o que importa é a capacidade que o candidato tem de controlar suas emoções. O entrevistador pode ser sarcástico, argumentar muito suas respostas ou, simplesmente, deixá-lo a aguardar. Tente não levar nada para o lado pessoal, responda tudo com calma e peça esclarecimento se achar necessário.
Entrevista abertas e dirigidas
São as mais comuns. Aqui o entrevistador fica frente a frente com o entrevistado e vai querer descobrir se a personalidade se encaixa com a da empresa e de que maneira as suas habilidades se integrarão com as do resto da equipa. O seu objetivo é mostrar que suas qualificações são boas para a empresa. Por isso, procure sempre saber sobre o trabalho realizado pela companhia, principalmente na área em que você está a candidatar-se. Pode acontecer num ambiente de escritório ou num outro mais informal, como num restaurante. Nesse caso, seus hábitos sociais também estarão em jogo e é recomendável que você não peça pratos difíceis de comer nem o mais caro do cardápio. Evite as bebidas alcoólicas.
Entrevista com mais de um selecionador
Dessa seleção participam as pessoas que, de alguma maneira, estão envolvidas na contratação. Na maior parte das vezes, isso acontece para economizar tempo na seleção, pois pessoas de várias áreas estarão observando o seu desempenho ao mesmo tempo. Nessa situação, quando estiver respondendo a uma pergunta, fale direto com a pessoa que a formulou, pois não é necessário responder ao grupo todo.
Em algumas entrevistas, o grupo pode colocar um problema a ser resolvido, de modo que você o trate demonstrando as suas habilidades – não se preocupe em encontrar uma solução brilhante, pois os entrevistadores querem avaliar como você aplica seus conhecimentos em situações reais.
Entrevista por telefone
Este é um tipo de triagem rápida, que elimina candidatos pouco qualificados. Nela os entrevistarodes procuram confirmar os dados do currículo para agendar posteriormente um outro encontro.
Veja algumas dicas para se sair bem ao telefone:
- antecipe o diálogo: escreva num papel as perguntas e as respostas que podem ser formuladas;
- mantenha as notas por perto: você vai parecer mais preparado se não se engasgar ou fizer silêncio enquanto procura por elas;
- esteja preparado para encontrar saídas, os entrevistadores gostam muito de propor problemas;
- evite falar sobre o salário: se lhe perguntarem quanto pretende ganhar tente deixar para depois;
- deixe claro que está interessado na possibilidade de trabalhar naquela empresa e tente marcar uma entrevista presencial.
Entrevista pela Internet
Esta é uma das mais novas descobertas da área de seleção e de recursos humanos das empresas. Além de diminuir tempo e custos, a entrevista pela Internet também serve como uma fase eliminatória mais precisa e rápida. Ela é feita como se fosse uma sala de chat, mas particular, onde o candidato e a empresa (entrevistador) marcam um horário para “conversar”. O resto funciona como uma conversa, onde o entrevistador pergunta e o candidato responde.
“É claro que o computador nunca vai substituir o ‘olho no olho’, mas não podemos negar que a Internet pode agilizar muito os processos seletivos. Mesmo sendo algo virtual, o candidato deve estar ciente de que é necessário agir com honestidade, pois qualquer mentira que disser nessa hora pode ser descoberta mais tarde”, analisa Miguel Fernandes de Barros, do Grupo Foco.
Daniele Aronque
