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Fev 22

TRABALHAR FORA – ENTRE A CARREIRA E O REGRESSO À TERRA

Foi sobretudo com o objectivo de “expandir horizontes, conhecer outros sítios e novas culturas” que, em 2004, Márcio Abreu deixou para trás a Madeira, a carreira de jornalista no Diário de Notícias e o curso de Comunicação, Cultura e Organização da Universidade da Madeira e desembarcou em Londres.
“A Madeira é pequena e para um jovem de vinte e poucos anos torna-se algo claustrofóbica”, justifica. A questão profissional era, então, um aspecto secundário. Continuar com o jornalismo estava fora de hipótese, até porque, admite, “o meu inglês da altura não o permitia”. A juntar a isto, também sentia alguma indefinição sobre aquilo que pretendia para o futuro. “Foi preciso vir para Inglaterra para perceber aquilo que, realmente, quero fazer”, acrescenta.
Actualmente, Márcio Abreu trabalha numa empresa privada que presta assistência social a pessoas portadoras de atraso intelectual. “Não é dos empregos mais bem pagos, mas é uma área com muito futuro neste país”, explica, lembrando que esta área específica de apoio social representa “um grande investimento do estado” em Inglaterra. O apoio é de tal dimensão que, acrescenta, “permite que essas pessoas tenham um apartamento alugado e pessoas para lhes prestar cuidados 24 por dia”.
Aos 30 anos, Márcio Abreu diz-se “bastante realizado” com a sua actividade profissional, ao ponto de ter trocado o curso superior de informática, que vinha frequentando, por uma outra licenciatura em assistência social. “Este curso tem mais a ver comigo e com aquilo que quero fazer no futuro”, expressa.
Antes disso, Márcio Abreu passou por outros dois empregos completamente distintos. O primeiro numa cadeia de cafés, numa experiência que, admite, “foi extremamente importante para desenvolver os meus conhecimentos de inglês” e que se está a mostrar muito útil actualmente, não só em termos laborais, mas também na sua formação.
Mercê dos contactos que tinha com alguns amigos que já se encontravam em Inglaterra, pôde começar a trabalhar logo no dia seguinte a ter chegado a Londres.
“Fui a uma entrevista e comecei de imediato a trabalhar”, recorda, sublinhando que nessa época “havia, de facto, uma grande facilidade em encontrar emprego”.
Márcio Abreu reconheceu, entretanto, que a situação mudou um pouco desde essa altura, contudo não tem dúvidas que continua a ser “muito mais fácil” encontrar trabalho em Inglaterra do que na Madeira. “Para quem quer realmente trabalhar, continuam a surgir ofertas de emprego”, regista.
A segunda experiência de emprego foi numa empresa de distribuição de artigos para criança, onde a principal particularidade era o horário de trabalho. Durou cerca de dois anos. “Trabalhava das seis da manhã às duas da tarde e isso permitia-me ter alguma flexibilidade para poder fazer outras coisas”, explica, embora não fosse, nem de perto nem de longe, aquilo que pretendia para o seu futuro. “Fui experimentando uma coisa e outra, até que finalmente encontrei o meu actual trabalho e percebi que é esta área da assistência social que me dá mais satisfação profissional”, regista.
Regressar à Madeira está, por agora, totalmente fora de hipóteses, até porque já constituiu família em Inglaterra. “Gosto de estar cá, mas no futuro não ponho de parte a hipótese de emigrar para outros países, nomeadamente para os Estados Unidos ou para a Austrália, onde as pessoas formados em assistência social têm maiores possibilidades de prosseguir em termos de carreira”, sublinha. Quanto à Madeira, não obstante “a qualidade de vida”, nomeadamente o clima e tudo aquilo que lhe esta inerente – “poder sair à noite, ir para os cafés e fazer algumas actividades ao ar livre, que o clima daqui não permite”, vinca – considera que “não oferece ainda condições para o futuro”. Por outro lado, acrescenta, “em Inglaterra há mais possibilidades de encontrar emprego e, até mesmo, de mudar e de progredir na carreira”.
Henrique Ribeiro tinha apenas 18 anos quando decidiu emigrar para Inglaterra. Estávamos em 2006 e as perspectivas de encontrar emprego no Reino Unido eram bem mais favoráveis do que na Madeira. “Tinha acabado de completar o curso de técnico comercial no Centro de Formação Profissional da Madeira, mas a oferta de trabalho era pouca e as perspectivas de futuro não eram muito animadoras”, começa por explicar o jovem, actualmente com 23 anos. O facto de ter familiares em Inglaterra também acabou por influenciar a decisão de saída e, naturalmente, favoreceu o processo de adaptação ao novo país.
“Ainda em Inglaterra comecei a lavar loiça num restaurante, depois já em Jersey servi à mesa e trabalhei numa loja de roupa, antes de entrar para a empresa onde estou agora”, revela, explicando o percurso que teve de percorrer ao longo destes cinco anos. Actualmente, Henrique Ribeiro trabalha numa empresa do ramo da restauração, cujo negócio abrange desde cafés a restaurantes, passando por um serviço de ‘catering’. É o responsável por um dos cafés existentes na ilha de Jersey. “É um trabalho de alguma responsabilidade e é bom para o currículo, embora a diferença de ordenado para um assistente de café normal não seja significativa”, refere.
O jovem madeirense diz-se “bem integrado socialmente”, sobretudo porque foi fazendo muitas amizades, especialmente com outros madeirenses que ali vivem.
Ainda assim, pelo meio, a saudades da família fê-lo regresso à Madeira, onde permaneceu durante um ano e meio. Contudo, voltou a enfrentar as mesmas dificuldades para encontrar um emprego seguro. “Arranjei trabalho, mas sempre daqueles trabalhos de um mês ou dois, que não nos dão estabilidade nenhuma e não nos permitem fazer planos a médio e longo prazo, nem sequer para comprarmos um carro e termos a garantia que podemos pagar a próxima prestação”, explica. Confrontado com a precariedade dos empregos que veio encontrar na Região, a opção foi mesmo retornar a Jersey.
Tal como da primeira vez, a oportunidade de “tentar ganhar algum dinheiro” também pesou na decisão. Mesmo que, como admite Henrique Ribeiro, actualmente, as coisas já não sejam tão favoráveis como num passado ainda recente. “As pessoas têm um pouco a ideia de que, no estrangeiro, trabalhamos 10 a 12 horas por dia e depois voltamos com muito dinheiro. É verdade que se regressa com algum, mas essa ideia de ganhar muito já foi verdade há 15 ou 20 anos, quando começou o grande fluxo de emigração de madeirenses para Jersey e Reino Unido, numa altura em que uma libra valia 300 escudos. Mas actualmente, com o euro, já não é assim”, regista.
No contexto actual, admite o jovem, a única justificação para continuar no estrangeiro é mesmo “a maior facilidade que ainda existe para encontrar um emprego”. Porque, de resto, em termos financeiros “acaba por já não compensar”. Além do mais, acrescenta, há sempre aquele apelo familiar que chama para a Madeira: “sou uma pessoa muito apegada à família e, por isso, não quero continuar por muitos anos nesta situação de emigrante”.
REVISTA MAIS – DIÁRIO DE NOTÍCIAS
  • Fevereiro 22, 2011
  • Élio Pereira
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Comentários

  1. Elio Pereira
    Março 2, 2012 at 9:22 am · Inicie a sessão para comentar

    Bom dia.
    No portal da Rede Eures poderá encontrar uma série de ofertas de emprego no Reino Unido. Para isso visite http://ec.europa.eu/eures/main.jsp?lang=pt&acro=job&catId=482&parentCategory=482

    Cumprimentos.

  2. Anónimo
    Março 1, 2012 at 10:58 pm · Inicie a sessão para comentar

    Boa noite, poderia alguém me ajudar onde posso procurar na net vagas de emprego para as ilhas britânicas? Obrigado

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