O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários manteve a convocatória da greve para o dia 24 do corrente mês, por um período de 24 horas, devido ao impasse negocial verificado, ontem, na reunião entre as partes.
«Como não houve acordo mantém-se a greve para o dia 24», salientou António Gouveia, recordando que a proposta sindical foi sempre de três por cento, enquanto do lado do patronato não foi além de 1,5 pontos percentuais.
Confrontado com o facto do sindicato ter-se mantido irredutível na negociação, sobretudo numa conjuntura económica desfavorável, o dirigente sindical referiu que a decisão cabe aos trabalhadores. «Não é assim tão desapropriada se tivermos em conta que ao nível nacional nos transportes rodoviários os trabalhadores tiveram aumentos de 2,9 por cento, sem que tenha havido aumento no tarifário, enquanto cá registou-se uma subida de 4,5 por cento no preço dos bilhetes», explicou António Gouveia.
Prioridade à manutenção dos postos de trabalho
Por seu turno, o representante da comissão negociadora patronal, Lamberto Jardim, considerou necessário «ser realista», face à conjuntura actual, numa fase em que se regista uma redução de passageiros e os encargos das empresas não páram de aumentar.
O “esforço” das empresas chegou aos 1,5 por cento de actualização salarial, tendo sido sugerido uma diferença acima da taxa de inflação para os anos seguintes, proposta que também não foi aceite pelo sindicato. «A nossa preocupação é, sobretudo, a manutenção dos postos de trabalho», realçou Lamberto Jardim, alertando para necessidade de ser ecnontrado um ponto de equilíbrio.
Mediador no processo negocial, Brazão de Castro, realçou alguns avanços para o entendimento entre as partes, lamentando não ter havido acordo na derradeira reunião. O governante considerou que as previsões da inflação par 2009 apontam para 1,1 por cento, mas que pode até ser negativa em 0,2 por cento.
O governante recorda que nos últimos anos os aumentos salariais têm seguido os valores ligeiramente acima da inflação, para que os trabalhadores não percam poder de compra.
O assunto será analisado hoje em Conselho de Governo que poderá decidir por uma portaria reguladora da actualização do salário para o sector dos rodoviários. «Tudo o que for acima dos 1,1 por cento é seguramente ganho para os trabalhadores», salientou Brazão de Castro.
Fonte: JM
