“O primeiro semestre, em matéria sócio-laboral na Região, apresentou um quadro negro, mesmo trágico, com muitas famílias a viver no limiar da pobreza, não deixando antever uma melhoria a curto prazo”. O coordenador da União de Sindicatos da Madeira (USAM), Pedro Carvalho, definiu ontem desta forma, à entrada da Quinta Vigia, o que se passou nos primeiros seis meses deste ano na Madeira, apontando que o número de desempregados já ultrapassa os 15 mil e que os sectores mais visados com a crise são os da construção civil, hotelaria e comércio.
“A USAM reafirma que, para defender melhor emprego, criar mais postos de trabalho, combater a pobreza, a invasão fiscal, o insucesso escolar e para que haja mais habitação e melhor saúde não é necessário mudar a Constituição da República, basta sim cumpri-la”, frisou, sublinhando que as alterações que o Governo pretende fazer à Constituição visam apenas dar-lhes “mais poder”.
Pedro Carvalho disse ainda que, “para combater a crise, é preciso outra política, que atenda às necessidades elementares da população, em matéria de emprego, escolaridade e saúde”. “Outra política só é capaz de ser implementada com mudanças claras nos órgãos governativos que as eleições que se avizinham poderão determinar”, apontou, fazendo um apelo aos trabalhadores e a todos os madeirenses para “sancionarem com o voto” os responsáveis por políticas de baixos salários e custo de vida.
“É preciso mudar as políticas e agir com medidas sérias para sair da crise, medidas que promovam o estado social e o direito à contratação colectiva, que aposte nos jovens e no emprego com direitos, ao serviço do desenvolvimento e não ao serviço de alguns para enriquecê-los”, atirou.
O coordenador da USAM acredita que, na Região, o número de desempregados, neste momento, já ultrapasse os 15 mil. “Isto é uma realidade”, sublinhou, referindo não entender o apoio que o Governo Regional promete para a formação de empresas, quando a população não tem poder de compra.
