A falta de profissionais em enfermagem foi uma das tónicas dominantes nas celebrações do Dia do Enfermeiro, na de da secção regional da Ordem. Porém, ela é interpretada de forma diferente pelo presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros e pelo secretário regional dos Assuntos Sociais.
Ao DIÁRIO, Élvio Jesus afirma que seriam necessários pelos menos mais 600 profissionais para normalizar os cuidados de enfermagem. Já Francisco Jardim Ramos sublinha que a Secretaria Regional dos Assuntos Sociais está a “avaliar as necessidade na eventualidade dos serviços precisarem, nomeadamente em termos da unidade dos acidentes vasculares-cerebrais e de outras unidades, como a via-verde dos cuidados coronários”. O governante admite algumas carências, que serão avaliadas e colmatadas, “havendo enfermeiros disponíveis”.
Na segunda-feira, segundo referiu Francisco Jardim Ramos, foram veiculados 83 novos enfermeiros, que vêm “aliviar a carga de trabalho” dos profissionais que estavam estavam ao serviço.
Além disso, o secretário regional dos Assuntos Sociais afirmou que está a ser feito um esforço no sentido de reduzir os horários acrescidos, “exactamente para dar oportunidade aqueles que não têm emprego”.
Élvio Jesus sublinhou que a Madeira está em melhor situação do que o continente ao nível da falta de enfermeiros, mas a falta de profissionais continua a ser uma realidade, tendo também sublinhado que parece “mais fácil” falar da carência de médicos do que “assumir a falta de enfermeiros”.
O secretário complementaria minutos depois a realidade regional, referindo que, na Madeira, existe um 7,5 enfermeiros por cada mil habitantes, enquanto, no continente, o rácio é de 5.3. Contudo, a média considerada desejável pelo OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) é de 9.7 por cada mil pessoas.
Ao DIÁRIO Élvio Jesus sublinhou que há da parte do Governo um empenho em dar resposta a algumas das preocupações manifestadas pelos enfermeiros, como a da aposta na formação. Contudo, espera que seja “enfatizada ao nível da governamentação, a questão de atribuir um enfermeiro a cada família e também da proximidade geográfica, lembrando que “há muitas resistências no terreno, nomeadamente por parte dos médicos dos cuidados de saúde primários”.
