Os 99 empregados do Hotel Savoy que constam da lista de despedimento colectivo, anunciada pela empresa anteontem, irão reunir-se hoje em plenário na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Hotelaria, Turismo, Alimentação, Serviços e Similares da RAM, na Rua da Alegria, pelas 15 horas.
Os trabalhadores irão ouvir a opinião dos serviços jurídicos e dos responsáveis do seu sindicato sobre a situação despoletada na segunda-feira pela administração da empresa, com o anúncio de um despedimento colectivo de 99 funcionários.
Ontem teve lugar uma reunião entre o advogado do sindicato e representantes da administração do Hotel Savoy. Segundo fontes sindicais, não foram aceites os argumentos do patronato, e haverá uma contra-proposta que será sugerida pela plataforma sindical, depois de ouvidos os trabalhadores e de saber se concordam com ela, o que acontecerá na reunião marcada para a tarde de hoje.
Também no dia de ontem houve uma reunião entre os trabalhadores que integram a lista de despedidos e técnicos da Direcção Regional de Trabalho, na qual foram prestados diversos esclarecimentos sobre as etapas do processo que se seguirá nos próximos dias e que resulta do facto da empresa colocar esses 99 trabalhadores na lista de despedidos. O Governo Regional da Madeira, quer através do seu presidente, quer através do secretário regional responsável pela tutela do Trabalho, já anunciaram que todos os trabalhadores dispensados pela empresa têm os seus direitos assegurados em conformidade com a lei vigente.
Como ontem noticiámos os trabalhadores do Hotel Savoy foram impedidos de trabalhar na segunda-feira, e foram encaminhados para uma reunião com a administração da empresa que lhes comunicou que o hotel estava encerrado a partir daquela data, a aguardar o início das obras que o transformarão numa nova unidade, totalmente diferente da actual, e cujo projecto já está licenciado. Segundo a Câmara Municipal do Funchal só falta aprovar alguns projectos de especialidade.
Os trabalhadores contestam a forma abrupta como foram informados acerca do encerramento do hotel e do seu último dia de trabalho e a surpresa de todos pela lista de despedidos, quando em ocasiões anteriores os administradores disseram publicamente que tinham a intenção de manter os postos de trabalho.
Tratados como “entulho”
O líder do PS-M acusou ontem Berardo e Horário Roque de terem tratado os trabalhadores do Savoy como “entulho”. Os trabalhadores “não são um entulho para o futuro hotel”, disse João Carlos Gouveia, que lançou um apelo a todos os madeirenses para que demostrem “o seu repúdio e a sua indignação, pois esta situação pode ser uma Caixa de Pandora que se abriu e nunca mais acaba”. Para o líder do PS é “inadmissível que uma empresa, beneficiando da atitude do Governo Regional e da câmara do Funchal na aprovação de um hotel, despeça 100 trabalhadores para depois admitir novos funcionários”. Gouveia considera ser ainda mais grave o facto desta ser uma situação de “madeirenses contra madeirenses”. Daí ter defendido que nas missas de domingo, os párocos da Madeira devem apelar a uma reflexão de todos os madeirenses sobre esta situação. Mais. Instou ainda os madeirenses a dizerem a Berardo e a Horácio Roque que não gostaram da sua atitude.
Reintegração noutras unidades
O Bloco de Esquerda também veio ontem a público tecer duras críticas à decisão tomada pelos proprietários do Hotel Savoy em despedir 100 trabalhadores.
Os ‘bloquistas’ defendem a reintegração imediata de todos os funcionários despedidos em outras duas unidades que o grupo possuí na Madeira. Falando em conferência de imprensa, o líder do BE-Madeira, Roberto Almada salientou que “o Grupo Savoy, pelo que é conhecido, não tem problemas de falência ou de eventual insolvência”. Mais. Almada referiu mesmo que com a demolição do hotel Savoy e com o projecto para a edificação de um novo, cuja construção está orçada em 170 milhões de euros, “essa hipótese é completamente descabida”. A oportunidades foi também aproveitada pelo líder do BE para repudiar as afirmações “vampirescas” do presidente do Governo, que justificou a decisão do grupo com “a importância do novo investimento”.
