Adolfo Freitas, do Sindicato da Hotelaria, estava indignado. “Há muito tempo que pedimos uma reunião com a administração da empresa e eles foram adiando, sem qualquer justificação. E hoje (ontem) pregaram-nos esta partida. Isto é má fé”, acusa o dirigente sindical num discurso vibrante feito à porta do Savoy para duas dezenas de trabalhadores.
Alertando os trabalhadores para que não assinem nenhum documento, Adolfo Freitas convocou os trabalhadores para uma reunião na quarta-feira e deixou um alerta: “Há uma reunião amanhã (terça-feira) com uma comissão de trabalhadores que ninguém sabe quem é, pois os trabalhadores não elegeram ninguém. E atenção, puseram a circular a informação que o sindicato está a negociar o valor das indemnizações, isso não é verdade. Não vamos decidir nada, nem assumir nenhum compromisso sem falar com os trabalhadores primeiros. Nunca falamos com a empresa”.
Confrontado, pelos trabalhadores, com o facto de todo o processo estar acometido de ilegalidades, o representante do Sindicato da Hotelaria deixou claro: “Já pedimos a intervenção da Inspecção de Trabalho, eles vêm aí”.
perante a dúvida de um ex-delegado sindical e antigo trabalhador do hotel, ficou claro: “Vocês continuam a ser trabalhadores da empresa Siet Savoy, esta não fechou e por isso não vos podem impedir de entrar no vosso local de trabalho”.
Sem uma posição clara, pois todos preferem esperar pela reunião de quarta-feira, há quem prometa apresentar-se hoje de manhã ao trabalho.
Para Adolfo Freitas a situação é clara: “Houve má fé por parte da empresa, pois o há duas outras unidades hoteleiras, as obras podem demorar 3 anos mas não há motivos para despedir todos os trabalhadores”.
À margem
Cerca de 2,5 milhões de euros por ano é quanto o Grupo Siet Savoy deve gastar com as despessas de pessoal, razão pela qual optou por um despedimento colectivo;
Nem todos os actuais trabalhadores do Saviy foram despedidos. Há secções em que metade foram despedidos e outras, até, que mantiveram os seus efectivos;
A Direcção Regional de Trabalho já recebeu o pedido formal da empresa liderada por Horácio Roque e Joe Berardo para proceder ao despedimento dos seus colaborados;
Um vencimento por cada ano de trabalho é quanto os trabalhadores deverão receber. Uma ninharia para os que têm poucos anos de trabalho.
