Os madeirenses apresentaram ao longo dos anos 90 os mais baixos rendimentos médios de todo o país. A conclusão está clara num estudo de Carlos Farinha Rodrigues, professor do ISEG e assessor do Instituto Nacional de Estatística nas áreas da distribuição do rendimento e das famílias. Esse estudo vai fundamentar a intervenção, que Edgar Silva vai fazer hoje à noite, no jantar de aniversário do partido.
O documento, ‘Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza – Portugal nos anos 90’, dá também conta da elevada incidência de pobreza na Região, ainda que com uma diminuição significativa entre o início e o fim do período em análise.
No ano 2000, o rendimento médio nacional foi de 8.937 euros, enquanto na Madeira o valor não foi além dos 6.831 euros. Isso significa que o rendimento médio dos madeirenses situou-se nos 76,4 por cento da média nacional. A região que se seguiu à Madeira foi a dos Açores, ainda assim, com um rendimento médio 441 euros superior ao madeirense.
Já no que respeita à distribuição do rendimento, a Região conseguiu, ao longo dos anos 90, tornar-se mais equitativa. No início da década, o índice de Gini (de 0 a 1 – 0 corresponde à igualdade absoluta e 1 à desigualdade absoluta) situava-se nos 0,4098, bem acima da média nacional, que era de 0,3169. Já no ano 2000, esse índice até foi dos mais baixos do país. Fixou-se nos 0,3200, enquanto a média nacional foi de 0,3481, muito influenciada pela região de Lisboa e Vale do Tejo, que ascendeu a 0.3624.
Açores e Madeira lideram pobreza
A Madeira, que em 1989 tinha o maior índice de pobreza nacional, 51,3 por cento, conseguiu fazer baixar esse indicador, de forma bastante mais significativa do que o resto do país, e ficar mais abaixo do que os Açores, no ano 2000. Ainda assim, bastante à frente da primeira região continental, o Algarve. Nesse ano, a Madeira tinha 32,1 por cento de pobres, os Açores 34,0 e o Algarve 23,7.
“A análise da incidência da pobreza nas várias regiões confirma (…) que as regiões autónomas dos Açores e da Madeira são, simultaneamente, as regiões com menor rendimento médio e com maior incidência do fenómeno de pobreza. Embora a taxa de pobreza se tenha reduzido entre 1989 e 2000 de forma muito significativa nestas duas regiões insulares, quer nos Açores quer na Madeira continuam a apresentar em 2000 uma taxa de pobreza muito superior à do conjunto do país”, refere o estudo de Carlos Farinha Rodrigues.
No prefácio da publicação, Manuela Silva, à data presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, escreveu: “Portugal tem conhecido ao longo de várias décadas taxas de crescimento económico positivo, mas não se tem verificado a lei de Kuznets, segundo a qual a desigualdade deveria reduzir-se à medida do crescimento económico alcançado. Ao invés, entre nós, a desigualdade na participação do rendimento vem crescendo e a pobreza material, por seu turno, oferece grande resistência à regressão”.
Fonte: DN
