No primeiro dia da greve de 48 horas convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, a adesão dos profissionais da Região atingiu mais de 70%.
Juan Carvalho, presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Região, disse que, no turno da manhã cerca de 70% dos profissionais fizeram greve, um valor que aumentou ligeiramente no turno da tarde (72%).
Já o Governo Regional apontou para números ligeiramente superiores aos do sindicato: 66% nos centros de saúde e de 77% nos hospitais.
Consultas e cirurgias adiadas nos hospitais e centros de saúde sem enfermeiros foram as principais consequências da greve dos enfermeiros na Madeira, que começou ontem às 8 horas.
No serviço de consulta externa “muitas consultas e os cuidados de enfermagem foram reprogramados”. O serviço de cirurgia esteve a funcionar apenas com os serviços mínimos.
Já nos centros de saúde, a adesão foi de 100 %, garantiu o sindicalista, apontando os casos da Ribeira Brava, Gaula, Santa, Cruz, Caniçal, Ribeira da Janela, Estreito de Câmara de Lobos, Santo António (Funchal) e Faial. A greve afectou ainda o Centro de Toxicodependência de São Tiago, no Funchal, onde estiveram apenas garantidos os serviços mínimos, e o serviço de Luta Antituberculose, que registou ontem uma adesão de 66 % à greve.
E as expectativas para hoje é que a adesão à greve na Região se mantenha e que até possa ser superior ao valor registado ontem, devido à proximidade com o fim-de-semana.
Ao DIÁRIO, Juan Carvalho disse ainda que a adesão dos profissionais atingiu os valores esperados pelo sindicato e demonstram o descontentamento dos enfermeiros quanto ao constante “protelamento do processo negocial por parte do Ministério da Saúde”. A paralisação dos enfermeiros é como “mostrar um cartão vermelho ao Ministério”.
O dirigente sindical acredita que a greve terá resultados positivos no processo negocial com o ministério da tutela e espera “que esteja disponível para retomar as negociações já nas próximas semanas”. Na tarde de ontem, a ministra da Saúde, Ana Jorge, lamentou a greve dos enfermeiros numa altura em que decorrem as negociações sobre as carreiras e assegurou que a tutela está “de boa fé” neste processo.
