Na sequência da já anunciada demolição do Hotel Savoy e construção da nova unidade hoteleira, a empresa ‘SIET-Sociedade Imobiliária Empreendimentos Turísticos’ vai proceder mesmo à dispensa de alguns dos seus trabalhadores.
Ainda não há datas concretas nem da demolição nem do arranque das obras do novo ‘cinco estrelas’, mas o Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria manifesta-se ao DIÁRIO “preocupado com o futuro” das dezenas de trabalhadores que ao longo de anos têm prestado serviço na emblemática unidade hoteleira desta cidade. O dirigente sindical, Adolfo Freitas, revela que “a empresa ‘SIET’ tem vindo a convidar o pessoal a rescindir os seus contratos de trabalho por mútuo acordo, uma vez que não tem capacidade de redistribuir todos os trabalhadores pelo Royal Savoy e Savoy Gardens.” Face a esse repto, “alguns dos quadros mais antigos têm expresso o seu acordo, mas outros não estão dispostos a rescindir.”.
Reunião pedida à direcção
O dirigente sindical salienta que alguns trabalhadores já estão perto de atingir a idade da reforma, mas outros são ainda demasiado novos e vêem com preocupação o futuro.” Adolfo Freitas explicou também que “o Sindicato já solicitou à empresa que explora o hotel uma reunião de trabalho para obter dados concretos e informar, com rigor, os trabalhadores.”.
O DIÁRIO confrontou Joe Berardo com os despedimentos no Savoy, mas o administrador esclareceu que “tudo ainda se encontra numa fase de estudo e de levantamento de dados.” No entanto, confirmou a intenção de dispensar alguns colaboradores: “Infelizmente, vamos ter que proceder a rescisões de contratos porque não há outra maneira de reintegrar todo o pessoal. Mas também é preciso que se saiba que grande parte dos nossos colaboradores já se encontra praticamente em situação de reforma.”.
Sem licença de demolição
O comendador afirma ainda que, ao longo deste processo de reestruturação do quadro de pessoal, “todos os direitos previstos na lei serão completamente salvaguardados, como aliás tem sido sempre a política da empresa.” Ninguém quis confirmar números exactos, nem o Sindicato nem a administração, mas estima-se que haja dezenas de trabalhadores envolvidos neste processo.
Questionado sobre todo o dossier de construção do novo Savoy, Joe Berardo não tem datas para avançar, dizendo mesmo que “ainda não dispõe sequer da licença de demolição do imóvel”, atendendo também a que se trata de “uma intervenção a ser devidamente ponderada e acautelada nas suas várias vertentes, nomeadamente da segurança.” A conjuntura económica actual de recessão também não favorece a eclosão de investimentos. A este propósito, Berardo admite: “Executar a obra nesta altura de crise é muito arriscado.” Ainda assim, acrescenta: “Pensamos que o mundo não vai acabar com a crise. Além disso, não é a primeira vez que há crise.”.
Crise não anula Savoy
Num misto de frontalidade e humor, como aliás é seu timbre, Berardo diz não ter ‘na manga’ soluções para a crise. O momento é complicado: “As bolsas estão a registar melhorias mas não é por aqui que se criam postos de trabalho. Por outro lado, quem pretende investir em novas unidades esbarra com a dificuldade de ver o consumo parado porque as compras foram reduzidas drasticamente. Já nem sequer é uma questão de retorno do investimento, mas de ver o consumo parado, o que provoca naturalmente alguns receios.”.
O administrador da SIET deixa, no entanto, claro que, com ou sem crise, “vai mesmo nascer um novo Savoy”. Tal como também já teve oportunidade de noticiar, a empresa considerou que demolir a antiga estrutura que faz parte do imaginário cultural e económico madeirense seria uma solução mais adequada do que proceder a uma eventual remodelação, porventura mais cara. Daí a opção por um projecto de raiz, tal como o DIÁRIO já divulgou. Em termos sumários, vem abaixo o Hotéis Savoy e Santa Isabel e os Apartamentos Royal e nascerá uma nova unidade hoteleira composta por três blocos comunicantes, num investimento global estimado em cerca de 150 milhões de euros. Uma empreitada possível graças também ao já noticiado Plano de Urbanização do Infante, que alterou os índices de construção, e que também tem motivado alguma controvérsia.
Quanto ao cronograma dos trabalhos, desde a demolição à construção, Joe Berardo não avança com datas. Antes prefere sublinhar que a empreitada “só vai arrancar depois de estarem acautelados todos os condicionalismos legais e burocráticos – levantamento que está a ser feito neste momento – por forma a evitar eventuais impugnações ou embargos, como se têm verificado nesta cidade, com evidentes prejuízos para os seus promotores.” O comendador reitera que se está perante “um investimento de grande dimensão” e que, para o levar à prática, “é preciso ter certezas e garantias” para evitar outras complicações.
Sindicato reúne com chefia do Madeira Palácio
Atendendo à conjuntura actual, o Sindicato da Hotelaria desdobra-se em atender várias frentes. Para além do Savoy, Adolfo Freitas tem vindo a acompanhar a problemática situação em que se encontra a mais de uma centena dos trabalhadores afectos ao Hotel Madeira Palácio. No entanto, adianta, que foi marcada para o dia 17 do corrente mês, uma reunião entre o Sindicato e o assessor da administração do Grupo Fibeira, que explora o investimento. Como DIÁRIO já divulgou, há meses que as obras de remodelação e ampliação do Madeira Palácio estão paradas por assumida falta de financiamento do promotor junto da banca. Em situação incerta está o pessoal que prestava serviço no também antigo ‘cinco estrelas’ da cidade, que sobrevive com uma comparticipação da Segurança Social. Para além do Hotel, está também parada a obra de construção de dois edifícios de apartamentos, na parte Norte.
