Os primeiros a sentir o corte nas horas e no ordenado foram os enfermeiros do Centro de Saúde de Câmara de Lobos, mas a redução nos regimes de horário acrescido vai chegar a vários serviços hospitalares e a outros centros de saúde. O Sindicato teme pela qualidade, diz que os utentes serão prejudicados; o director de enfermagem defende-se com a admissão de 83 novos enfermeiros.
Os cortes nos regimes de horário acrescido – que representam mais sete horas por semana e um acréscimo de 37% no salário – serão conhecidos até ao fim deste mês. Em Câmara de Lobos, a decisão está já tomada, passou-se de 17 horários acrescidos a apenas quatro. “Os nossos colegas estão descontentes e preocupados com a qualidade do serviço. É que se reduziu os horários, mas esse corte não foi compensado com a entrada de novos enfermeiros. É fácil de perceber que, com menos profissionais e sem horário acrescido, não será possível atender a todas as exigências”.
Juan Carvalho, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, reconhece que este corte terá consequências nos cuidados prestados, sobretudo num concelho com problemas sociais complexos. Em Câmara de Lobos, diz-se, as chefias terão que escolher o que vão prescindir: saúde escolar, formação na comunidade, consulta do diabético. “Não tenho dúvidas que a medida vai prejudicar os utentes”.
No Serviço Regional de Saúde, o director de enfermagem tem outra opinião do assunto. Luís Fragoeiro lembra que está em curso a admissão de 83 novos enfermeiros, “não faz sentido pagar regimes de horários acrescido quando há enfermeiros no desemprego”. E esse mesmo concurso tem uma reserva à qual o Governo poderá recorrer se assim o entender. “O que posso garantir é que os interesses dos cidadãos não serão prejudicados. Tudo será feito de forma criteriosa”.
A admissão de novos enfermeiros não convence. Juan Carvalho lembra que, em 2008, 48 enfermeiros reformaram-se e, se se juntar os 10 que se aposentaram no primeiro trimestre deste ano, somam 58. ” E isto para não falar naqueles que saíram para ocupar lugares de enfermeiro-especialista. Ou seja, os novos enfermeiros irão compensar carências que o sistema já tem, não aquelas que eram resolvidas com o regime de horário acrescido”.
A extensão do corte no regime de horário acrescido será conhecida no fim do mês. A medida permite ao Governo Regional poupar nos salários dos enfermeiros, já que o acréscimo de sete horas por semana representa mais 37% no vencimento.
