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Abr 29

REGRESSO AOS SINDICATOS

O fantasma do desemprego e a crise económica estão a fazer com que os trabalhadores se filiem cada vez mais nos seus sindicatos. É o regresso ao sindicalismo não por motivos altruístas e ideológicos mas por razões práticas. Em caso de despedimento podem contar com o apoio jurídico do sindicato.

É este o perfil dos novos associados que procuram no sindicato um encosto quando estão ‘na hora do aperto’. A troco de uma quotização que, na generalidade dos sindicatos, anda à volta de 1% do salário base mensal, os sindicalizados procuram ainda usufruir de bens e serviços mais baratos (protocolos) e, nalguns casos, adquirir casa própria (cooperativas de génese sindical).

E à pergunta ‘ser sindicalista é ser de esquerda’ o panorama sindical regional oferece várias respostas. Há sindicatos que têm uma conotação com a esquerda mas há outros conotados com a direita. Uns afectos à CGTP e outros à UGT ou mesmo à USI (União dos Sindicatos Independentes) que veio para a Madeira em Março de 2005.

Em Maio de 2004, Alberto João Jardim chegou a pedir o saneamento dos dirigentes sindicais ligados a partidos políticos. “Ponham no olho da rua os agentes partidários”, afirmou. A ordem seria para sanear comunistas, socialistas e falsos independentes mas Jardim esqueceu-se das organizações e sindicatos conotados com o PSD. A começar pelos TSD-M liderados por Brazão de Castro. O Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública (STFP) foi, durante anos, dirigido por um deputado do PSD. O Sindicato Democrático dos Professores da Madeira (SDPM), filiado na Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE)-UGT também tem conotação ao poder regional.

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, na Região, (SINTAP) é liderado por um socialista, também dirigente da UGT. A União dos Sindicatos da Madeira (USAM) congrega sindicatos dirigidos por gente ligada à esquerda (PCP, BE). Caso do Sindicato da Construção Civil.

Os Sindicatos da Hotelaria; da Administração Local (STAL); das Bordadeiras; das Telecomunicações; de segurança e limpeza; Rodoviários e Metalúrgicos; delegações sindicais, entre outros, também têm membros politicamente identificados.

Mas a realidade sindical regional engloba outras estruturas representativas. Caso dos bancários, enfermeiros, polícias, farmacêuticos, professores licenciados, escritório e comércio, jornalistas, funcionários judiciais e outros que escapam a esta enumeração simplista esquerda/direita. O que é certo é que, tal como os governantes/políticos, também os sindicalistas (da direita à esquerda ou independentes) são eleitos democraticamente pelos associados.

Há sindicatos mais ‘apetecíveis’ do que outros. Os mais disputados costumam ser os mais activos mas a lógica é mais conjuntural do que estrutural. Depende do acto eleitoral, de quem se apresenta a ele e da ‘saúde’ do sindicato. Também há quem veja no Sindicato um trampolim para outras funções.

Certo é que os sindicatos têm novos fóruns para expor os seus pontos de vista embora reclamem ser ouvidos e não escutados. Não querem ser ‘bibelots’ ou flores de um ramalhete em sede de diálogo social e em estruturas meramente consultivas.

Que papel devem ter, então, os sindicatos? Que reivindicações são mais prementes nos dias que correm? Qual o discurso e qual prática moderna? Há quem ache que devem intervir também na economia mas não na actividade político-partidária (caso das cooperativas de habitação). Intervir na formação mas não na ideologia.

O paradigma é outro. As lutas históricas e os triunfos de Abril, alcançados em páginas revolucionárias, deram lugar a um novo sindicalismo. Hoje poder-se-iam qualificar os sindicatos em duas categorias: conservadores e progressistas. Os primeiros apegados a modelos ultrapassados (embora sentinelas para os demais). Os segundos mais preocupados em encontrar soluções, sendo agentes de mudança e longe da redutora fórmula esquerda/direita.

Já lá vão os tempos das primeiras associações de classe, dos primeiros congressos sindicalistas, das primeiras greves, das prisões de dirigentes, da etapa do corporativismo, do movimento sindical clandestino.

Fonte: DN
  • Abril 29, 2009
  • Élio Pereira
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