O combate ao desemprego deverá ser a primeira grande prioridade para o novo Governo da República criado a partir das eleições de ontem, defendem Vírgílio Pereira, do PSD, e Emanuel Jardim Fernandes, do PS.
Convidados pelo JORNAL da MADEIRA para pensar o país e a Madeira para os próximos quatro anos, ambos consideram que os esforços deverão concentrar-se no combate a um flagelo que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estima que atinja 650 mil portugueses, o que equivale a 11,7% e representa mais 210 mil pessoas do que no final de 2007.
«Atendendo às circunstâncias que vivemos actualmente, a primeira preocupação do novo Governo da República deverá ser reforçar, se possível, a política de incentivo à criação de emprego. Todas as medidas que venham neste sentido e que vão ao encontro das necessidades das micro, pequenas e médias empresas, por forma a que possam emergir nesta crise, são bem-vidas», disse Virgílio Pereira.
Para tal, o social-democrata defende que seja sensibilizada a banca nacional a melhorar o seu relacionamento com os eventuais candidatos a créditos, torná-la menos rígida, sem cair obviamente nos erros em que caiu antes desta crise mundial», advertiu.
Emanuel Jardim Fernandes afina pela mesma nota: «O objectivo fundamental deverá ser combater o desemprego». O apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME) «deve ser continuado», diz o socialista, sugerindo, contudo, que seja alterada a situação do financiamento das empresas. «Eu conheço vários empresários que têm muita dificuldade em obter os meios que carecem para dar continuidade à sua empresa», disse.
Emanuel Jardim Fernandes entende, por outro lado, que as empresas, neste momento de crise, devem optar pela formação profissional em vez de despedirem.
«Os trabalhadores devem receber formação, suportada pelas empresas e, sobretudo, pelo Estado. Desta forma, é evitado o desemprego. Assim, quando a empresa retomar a normalidade, estará mais bem preparada para enfrentar o futuro», defende o socialista. Virgílio Pereira corrobora e até diz que a formação profissional deveria ser «reforçada valentemente».
Mas, para Emanuel Jardim Fernandes, o novo governo terá de ter outro objectivo: «É, de novo, depois do que foi feito para dar resposta à crise internacional, repor a situação das finanças públicas», disse. Isto sem prejuízo «de continuar a ter respostas sociais, como foram dadas para o desemprego, na área da saúde e de apoio às empresas, no reforço da qualificação dos trabalhadores, no reforço da investigação e da ciência e no reforço do investimento nas energias alternativas».
Emanuel Jardim Fernandes entende que « já estamos numa fase de recuperação da crise» mas acredita «não sairemos dela tão cedo. Em 2010 poderão surgir alguns sinais mas muito ténues», vaticinou.
Virgílio Pereira não concorda, no entanto, com Emanuel Jardim Fernandes quanto à prioridade de regularizar as contas públicas.
«Penso que não deve ser preocupação do novo governo esmerar-se no campo da administração financeira», afirmou, considerando que, por agora, «se a Europa quiser cumprir o seu projecto coerente de fraternidade, de coesão económica, de coesão social, de farol do mundo civilizado, então tem de ter uns anos a seguir a esta crise em que o défice é secundário em relação à problemática, por exemplo, do desemprego», refere.
Virgílio Pereira aproveita este momento e lança outros objectivos prioritários para o novo governo. «O Estado deve fazer um esforço e pagar tudo o que deve» aos seus fornecedores e, por outro lado, deve «apostar em coisas que tenham um retorno imediato. Se qualquer obra pública, se qualquer acção, por exemplo, no campo do turismo, tiver um efeito económico positivo e imediato de retorno, que ganhemos alguma coisa com isso imediatamente, devemos apostar nesses eventos», sugeriu.
«Estamos numa época em que tudo o que se fez de bom tem de ser optimizado e aquilo que se fez de mau deve ser repelido», clarificou, sublinhando que «tudo o que puder ser rentável a curto prazo deve ser alvo de atenção especial deste governo». Emanuel Jardim Fernandes concorda com esta ideia. E dá uma outra pista sobre como pôr a economia a funcionar no imediato. «O Bairro de Santa Maria, por exemplo, está a degradar-se. Devia de haver programas, com recurso a apoios comunitários, para recuperar aquela zona. Seria uma acção extremamente importante, neste momento, porque os trabalhos ocupariam muita gente e melhoraria a qualidade de vida das pessoas que trabalham ou podem viver lá; e é uma forma também de rentabilizar aquele património», disse.
Fonte: JM
