É a nova ofensiva da Associação de Comércio e Indústria de Machico (ACIM) sobre a abertura de duas megalojas chinesas na cidade machiquense. No total 235 empresários de Machico assinaram o abaixo-assinado contra a abertura de duas megalojas chinesas naquela cidade. Destes, 185 são sócios da ACIM. Os outros 50 são proprietários de mini-mercados, lojas de pronto a vestir, lojas de ferragens, entre outras, situadas no centro da cidade. Os cafés e bares não participaram no abaixo-assinado por indicação da ACIM. Alguns dos comerciantes subscritores, diz a presidente da ACIM, estão mesmo dispostos em manifestar-se não só contra a abertura das lojas, mas também pelo facto destas estarem isentas ao pagamento de impostos durante 5 anos. Um facto que consideram ser discriminatório.
O documento já foi enviado à vice-presidência do Governo Regional, bem como a outras entidades governamentais e ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Associado ao documento foi também enviado ao Governo Regional um relatório do impacto comercial que tem 11 pontos que especificam uma série de problemas que ocorrerão se as megalojas abrirem portas. De acordo com o documento, “as lojas chinesas terão, comercial, económica, e socialmente um impacto muito negativo em Machico, adivinhando-se consequências transversais a toda a sociedade local.
Para sustentar essa tese, a presidente da ACIM, Zita Cardoso, apresenta alguns números sobre a freguesia de Machico. E destaca o facto da freguesia ter apenas 12 mil habitantes, sendo que 90% estão emigrados e outros são de cariz dormitório. Machico, acrescenta a ACIM, tem actualmente cerca de 100 pequenas e médias empresas que empregam cerca de 250 trabalhadores. Caso as lojas abram, diz Zita Cardoso, registar-se-ão falências de micro-empresas do sector de vestuário, calçado, decorações, mini-mercados, mobílias e afins, o que “irá criar desemprego e consequências financeiras no cumprimento das suas responsabilidades bancárias, alimentação, despesas escolares, habitação”.
Além dos problemas comerciais, a ACIM perspectiva também o encerramento de alguns dos 9 balcões bancários existentes e “redução das contribuições para segurança social e fiscal”. A tudo isto há a somar o encerramento recente de três espaços de restauração no Fórum de Machico, no Pico do Facho e na Alameda.
Seis lojas em Machico
Zita Cardoso diz também que já existem 2mil metros de superfície de lojas chinesas,(6 lojas) já por si em desigualdade “insustentável e intolerante pela ausência de fiscalização aduaneira, fiscal, legalidade territorial e condições de trabalho”.
A concluir a ACIM lança três questões: “Porquê a instalação no centro da cidade no prédio Miguel Viveiros e Sócios numa área de 3 mil metros (meio campo de futebol)? Porque não instalar nos parques empresariais disponíveis e próprios para estas grandes superfícies?”. E, por fim, “porquê isto só depois das eleições Autárquicas?”
Alguns números sobre Machico
Pouco mais de 12 mil habitantes é a população actual da freguesia de Machico.
Existem no concelho cerca de 100 pequenas e médias empresas que empregam aproximadamente 250 trabalhadores.
Recentemente encerraram na freguesia 3 restaurantes, balcões de bancos e alguns gabinetes de contabilidade.
Machico já possui actualmente 6 lojas chinesas com uma dimensão aproximada de dois mil metros quadrados.
As duas novas lojas prevista para o centro da cidade terão 3.500 metros quadrados, aumentando para 5.500 metros quadrados a área das lojas chinesas.
A Maxmat, uma das maiores lojas existentes actualmente em Machico, tem somente 1.400 metros quadrados de área.
