Assim, e entre as diversas atividades dos polos de emprego, estes organismos estão aptos para informação profissional para jovens e adultos desempregados, apoiar na procura ativa de emprego, acompanhar de forma personalizada os desempregados em fase de inserção ou reinserção profissional, captação de ofertas de emprego junto de entidades empregadoras, divulgação de ofertas de emprego e atividades de colocação, encaminhamento para ofertas de qualificação, divulgar e encaminhar para medidas de apoio ao emprego, qualificação e empreendedorismo, divulgar os programas comunitários que promovam a mobilidade no emprego e na formação profissional no espaço europeu e motivar e apoiar na participação em ocupações temporárias ou atividade sem regime de voluntariado, que facilitem a inserção no mercado de trabalho». Os 26 Polos de Emprego estão distribuídos pelos vários concelhos da região, «com especial enfoque para a criação de um Polo de Emprego em São Vicente,uma necessidade há muito sentida pelos residentes da costa norte, e um Polo de Emprego na Direção Regional de Administração Pública do Porto Santo, tentando ultrapassar as dificuldades de inserção inerentes à dupla insularidade» da ilha dourada. Rita Andrade disse ainda que, nessa perspetiva de aproximação,«importa da mesma forma realçar o novo Polo da Casa do Povo de São Roque e da Junta de Freguesia do Monte, disponibilizando um apoio essencial à população das zonas altas do Funchal». O concelho com maior número de desempregados, com 43,9% do total de inscritos, disponibiliza 12 Polos de Emprego promovidos pelo Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria e Similares, Sociohabitafunchal, Escola da APEL,Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Associação de Estudantes do ISAL, Investimentos Habitacionais da Madeira, Associação de Amigos das Pessoas com Necessidades Especiais, Fundação AMI – Centro Porta Amigado Funchal, Casa do Povo de São Roque, Junta de Freguesia do Monte, Universidade da Madeira e Direção Regional de Juventude e Desporto». Câmara de Lobos, o segundo concelho com maior número de desempregados inscritos (14,9%) conta com dois Polos de Emprego, nomeadamente na Casa do Povo do Estreito de Câmara de Lobos e na Junta de Freguesia de Câmara de Lobos. Santa Cruz, com 14,8% de desempregados criou três Polos de Emprego, desta feita inseridos nas Casas do Povo do Caniço, da Camacha e de Santa Cruz, enquanto Machico criou dois, enquadrados na Junta de Freguesia de Machico e na Casa do Povo do Caniçal. Ribeira Brava tem dois Polos de Emprego, um na Casa do Povo do Campanário e outro no Município da Ribeira Brava, Ponta do Sol tem o Polo de Emprego do Centro de Cultura e Recreio da Pontassolense e, finalmente, o concelho da Calheta disponibiliza à população desempregada um Polo de Emprego na Casa do Povo da Calheta.
A Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM) é uma das entidades promotoras dos polos de emprego, desta feita, a funcionar no Bairro da Nazaré. Coordenado por Mara Rodrigues, este organismo abrange a freguesia de São Martinho e tem como principal missão o atendimento personalizado a cada um dos 140 utentes ativos do polo que, no início do ano contava com 189 utentes, sendo que 49 estão atualmente a trabalhar. Esta política tem dado bons frutos. O utente sente-se valorizado, com mais ânimo para a procura de emprego, porque tem quem o oriente melhor. Mara Rodrigues refere que acompanha situações de desespero, por parte dos desempregados de longa duração. Uma das soluções encontradas pela presidente da IHM, Nivalda Gonçalves, foi a criação de equipas de limpeza e de manutenção de bairros. Foi através desta medida que muitos dos desempregados com mais de 50 anos conseguiram aderir ao Programa de Ocupação Temporária de Desempregados (POT). A implementação do polo de emprego na Nazaré deveu-se ao facto de haver muitos moradores no desemprego, para além de ser o maior complexo habitacional da IHM. A missão do polo é facilitar a reinserção de jovens e adultos no mercado de trabalho, através do acompanhamento individual do utente, que tem ajuda para a elaboração do currículo, carta de apresentação, encaminhamento para ofertas de emprego, apoio para a pesquisa de ofertas de emprego. «Este é um bairro onde a maioria das pessoas não tem internet ou computador. Nós ajudamos nisso, acompanhamos o utente até ele encontrar emprego». Este organismo presta ainda ajuda ao nível do encaminhamento dos utentes em graves dificuldades económicas para apoios sociais. «Através das parcerias que nós temos com entidades locais, temos conseguido articular apoios diversos, nomeadamente na alimentação». Mara Rodrigues conta que um utente, que foi ao polo pedir emprego, já não comia há três dias, porque o pouco que tinha era para os filhos. Hoje em dia, conta com o apoio alimentar da Paróquia da Nazaré. Ou seja, o polo de emprego, pela proximidade que cria com os utentes, acaba por ter um papel interventivo noutras áreas sociais, que não apenas a basilar.«O grande objetivo do polo é a inclusão social dos utentes, mas até encontrar emprego, há uma série de situações que precisam de ser colmatadas. Uma pessoa à fome não tem disponibilidade para procurar emprego, nem faz sentido promovermos sessões de procura de emprego com uma pessoa que está sem comer há dois dias». Quanto à vertente do apoio à reinserção no mercado de trabalho, o que os utentes valorizam é o atendimento personalizado que os polos de emprego oferecem, por abrangerem menos pessoas que o IEM. «Sentimos que tratá-los logo pelo nome quando eles chegam é importante para eles». Na ponte que é feita entre as ofertas de emprego, as empresas e o IHM, a faixa etária que sente mais dificuldades é acima dos 45 anos. Mas, a par disso, Mara Rodrigues admite que há algum estigma em relação às pessoas do bairro da Nazaré. «Já tivemos pedidos de empresas para desempregados de São Martinho mas não do bairro», revela, acrescentando que essa discriminação não é permitida. Por outro lado, e como na IHM há uma equipa de inclusão social diversificada da qual faz parte, Mara Rodrigues tem o «privilégio» de conhecer não só os utentes mas os seus filhos, ajudando-os no reingresso escolar e no combate ao absentismo escolar, acompanhando ainda casos relacionados com alcoolismo. O contacto com o utente extravasa o espaço físico do polo de emprego, que vai à rua, vai ao bairro. E é uma mais-valia para o conhecimento da realidade do utente e do perfil deste para a procura de trabalho. Todos os desempregados inscritos nos polos de emprego da Região estão registados no portal Empregar, que também conta com a inscrição dos empregadores. Os polos ajudam na ligação entre os desempregados e as empresas, porque já fizeram a parte do diagnóstico e avaliação profissional e vocacional dos utentes. Mara Rodrigues defende que os desempregados devem inscrever-se nos polos da sua área de residência. Muitas vezes, os utentes já “bateram em todas as portas”, e pensam em desistir. «Nós temos o papel de lhes mostrar que não podem. Um técnico de um polo de emprego é quem nunca desiste do desempregado mesmo que ele já tenha desistido de si próprio».
Outro polo visitado pelo JM foi o da Casa do Povo do Campanário, criado em janeiro. Coordenado por Débora Figueira, ajuda 112 utentes. Destes, a maioria dos homens trabalhava na construção civil. Das mulheres, muitas procuram emprego nas limpezas ou como ajudante de cozinha. Tem ainda alguns jovens que acabaram o ensino secundário. A responsável também encaminha para as oportunidades de estágios profissionais do IEM, sendo que 60 por cento dos jovens inscritos no polo conseguiram colocação. Em relação aos desempregados de longa duração, estes «temem não conseguir trabalho. A maioria dos utentes têm mais do que 40 anos e são maioritariamente da construção civil e, como sempre trabalharam nessa área, não conseguem ver em que outra podem trabalhar». A responsável confessa que a sua maior dificuldade é convencê-los a se inscreverem em alguma formação, «já que temem em investir novamente neles próprios, porque têm a auto-estima muito baixa. O nosso trabalho passa muito pela motivação». «A psicologia positiva» é importante. «Eles precisam de se sentir valorizados. Quando as pessoas entram cá, já sei o seu nome e isso faz diferença», refere Débora Figueira. O seu trabalho também consiste em fazer a ponte entre as empresas que querem contratar e os desempregados e ver como inseri-los. A dificuldade em empregar também se prende como perfil pedido pela empresa, que quer quem tenha até 30 anos, que saiba inglês, capacidade de fazer horário rotativo, por exemplo. «Cria-se uma barreira também difícil de transpor. Ou seja, pode haver tantos desempregados, mas não há tantos para o perfil pretendido». Questionada sobre se tem conseguido incentivar os utentes à procura ativa de trabalho, a responsável admite que «eles continuam a ter essa dependência». Mas, participam nas formações desenvolvidas para procura ativa de emprego. «Noto que o espírito deles tem mudado um pouco»,apesar de sentir que «há uma necessidade de lhes moldar a mentalidade no sentido de não esperarem que lhes acabe o subsídio para procurar trabalho». Nas reuniões que promove, Débora Figueira tenta motivá-los, mostrar que «estão todos na mesma situação, não têm de ter vergonha». Recorda que um utente que estava desempregado, conseguiu inserir-se no mercado de trabalho e, como a empresa precisava de outras pessoas, lembrou-se de um outro participante de uma sessão de formação e acabou por haver trabalho para os dois. Débora Figueira diz que, da sua parte, «é muito gratificante trabalhar com esta população. Gostávamos de mudar o mundo, mas não é fácil. Se conseguirmos mudar a vida de uma pessoa já estamos a mudar o mundo».