O presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Francisco Madelino, realçou ontem o facto de os dados de Junho apontarem uma “estagnação” em termos mensais, mas afirmou que o desemprego continua em “níveis muito elevados”.
De acordo com os dados ontem divulgados pelo IEFP, o número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Junho aumentou 0,1 por cento relativamente ao mês anterior e subiu 28,1 por cento em termos homólogos.
Em declarações à agência Lusa, Francisco Madelino realçou o facto de em Junho, pelo segundo mês consecutivo, os dados relativos ao número de inscritos nos Centros de Emprego indicarem “uma estagnação do crescimento do desemprego”.
“Quer no mês passado [Maio], quer este mês [Junho], os dados dão uma estagnação do crescimento do desemprego, embora essa estagnação não possa significar qualquer tipo de regozijo”, afirmou o presidente do IEFP, salientando que “esta estagnação se opera com o desemprego ainda em níveis muito elevados”.
“O desemprego continua em níveis elevados na sociedade portuguesa”, acrescentou, defendendo que “toda a política pública tem de ser concentrada no sentido de consolidar o crescimento económico, porque só com crescimento económico se pode passar de uma estagnação do desemprego para uma redução do desemprego”.
Pela positiva, Francisco Madelino destacou o facto de as ofertas de emprego e do número de colocações terem aumentado pelo segundo mês consecutivo. “As ofertas de emprego, em termos homólogos, aumentaram cerca de 20 por cento e as colocações feitas pelos centro de emprego cerca de 10 por cento”, disse.
Partidos culpam Sócrates
“Está por nascer um primeiro-ministro que tenha feito tanto pelo desemprego”
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou ontem que “está por nascer um primeiro-ministro que tenha feito tanto pelo desemprego” como José Sócrates, apontando como exemplo de “insensibilidade social” o “desmembramento” do Arsenal do Alfeite.
“Fala do combate ao défice esquecendo os dramas sociais e os danos irreparáveis que causou à nossa economia com aquela obsessão pelo défice. Parafraseando o primeiro-ministro, está por nascer um primeiro-ministro que tanto desemprego criou durante um mandato.
Também o deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares declarou-se ontem preocupado com o agravamento do desemprego em Portugal, sublinhando que acontece mesmo num período de criação de emprego sazonal. “Desde o início deste ano, o desemprego agravou-se em 17,5 por cento e, mesmo numa altura de criação de emprego sazonal, cresceu face a 2008”, afirmou, num comentário aos dados hoje divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.
