Desemprego registado continua em queda. Há 22 anos que os números não eram tão baixos. 4% do total de desempregados não tem nenhum nível de instrução
Os dados mais recentes do desemprego, divulgados ontem pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, confirmam uma descida generalizada em todo o País, embora a Madeira mantenha a redução mais acentuada. Em junho, estavam inscritos 5.598 desempregados no Instituto de Emprego da Madeira, menos 17% do que em igual período do ano anterior, uma diferença de 1.144 pessoas. Em relação a maio, a quebra foi de 5,7%, o que corresponde a menos 337 inscritos.
A Madeira representou, no mês passado, 1,9% dos desempregados registados no País. Os Açores foram a região com menos desempregados inscritos: 4.129 (1,4% do total nacional).
É necessário recuar até Setembro de 2003 para encontrar um registo mais baixo na Madeira. Há 22 anos que não havia tão pouca gente sem emprego na Região.
Se os números são inequívocos quanto à diminuição constante do número de desempregados na RAM, já em relação ao subsídio de desemprego, os montantes pagos a cada beneficiário é manifestamente baixo, mas em linha com o que é despendido nas restantes regiões do País.
Programa e formação
No mapa nacional o Alentejo foi a única região que não conseguiu fazer descer o número de desempregados. As regiões autónomas foram as que conseguiram melhores resultados no mês passado.
No total nacional estão inscritas 293.488 pessoas sem emprego, -3,8% face ao mesmo período do ano passado.
Voltando à Madeira no fim do mês contabilizam-se adicionalmente 2.086 inscritos a participarem em programas de emprego e 3 inscritos a frequentarem um curso de formação profissional, num total de 2.089 ocupados. Este número representa uma redução de 0,9% face ao mês anterior (-19 ocupados), mas uma queda de 7,8% face ao período homólogo (-177 ocupados). Em Junho registaram-se 667 novas inscrições de desempregados. Este resultado é um pouco inferior ao restado no passado mês de Maio (-2,9%; -20 inscrições), sendo que representa uma descida de 6,8% (-49 inscrições) face a Junho de 2024. Ao longo do mês foram captadas 199 novas ofertas de emprego, valor superior em 7,0% (+13 ofertas) face ao mês anterior e em 36,3% (+53 ofertas) comparativamente a Junho de 2024. Ao longo do mês registaram-se 486 integrações no mercado de trabalho, traduzindo um decréscimo de 15,6% (-90 integrações) comparativamente ao mês anterior e um aumento de 9,5% (+42 integrações) face ao mês homólogo.
Mais de metade com subsídio
Verifica-se que há mais mulheres (56,6%) em situação de desemprego do que homens (43,4%). 89,5% tinham mais de 25 anos e a maioria apenas com o 3.° ciclo do ensino básico completo, como habilitações. Do total de desempregados de Junho 15,5% tinham licenciatura. É de sublinhar que 4% dos que não tinham emprego não possuem nenhum nível de instrução.
Relativamente aos candidatos a um novo emprego, 85% estavam na área dos Serviços, 12,5% na Indústria, Energia, Agua e Construção e apenas 2,5% no sector primário.
Do universo total dos 5.598 desempregados apenas 2.935 recebem subsídio da Segurança Social (52,4%). Os restantes 2.663 estão fora da órbita pública.
O valor médio mensal do subsídio de desemprego foi, em Junho, de 621,78 euros, muito abaixo do montante do salário mínimo mensal. A Madeira é a sétima região, em 20, com o valor mais baixo.
Funchal com quase 40%
O Funchal é, como seria expectável, o concelho com maior número de desempregados: 2.196 pessoas, o que corresponde a 39,2% do total regional. Seguem-se Santa Cruz, com 956 inscritos (17%) e Câmara de Lobos, com 672 (12%). No extremo oposto, o Porto Moniz regista apenas 56 desempregados, representando 1% do total.
No que respeita à distribuição etária, o grupo dos 45 aos 54 anos é o mais afetado pelo desemprego, registando 20% do total de inscritos. Logo depois surgem a faixa dos 25 aos 34 anos, com 19,7%. As percentagens mais baixas concentram-se nos mais jovens (18–19 anos) e nos maiores de 65.
Quanto aos motivos de inscrição no Instituto de Emprego da Madeira, 70% perderam o trabalho anterior, 26% inscreveram-se por não ter tido nunca emprego e 2% referem a cessação do próprio trabalho (0,7%) ou o despedimento pela entidade empregadora (1,2%).
RSI COM MENOS BENEFICIÁRIOS
Segundo dados da Segurança Social, em Junho deste ano, a Madeira contabilizava 2.464 beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), o que representa uma redução de 12% face ao mesmo mês de 2024 e de 1,2% em relação a Maio. O valor médio mensal atribuído por beneficiário foi de 163,50 euros.
No que respeita às famílias abrangidas por este apoio destinado a situações de grave carência económica, estavam registadas 1.474, o que traduz uma descida de 2,7% em termos homólogos. A cada agregado familiar foi atribuído, em média, um montante mensal de 300,40 euros.
À escala nacional, a Madeira representa 1,4% do total de beneficiários do RSI e 1,7% das famílias apoiadas.
ROBERTO FERREIRA | Diário de Notícias | 22/07/2025

